Mariela de Castro Santos
Curitiba
Depois de 20 anos, o Brasil volta a sediar a etapa sulamericana da Withbread Round The World Race, uma das mais importantes competições náuticas. Em pleno carnaval, os nove veleiros que estão dando a volta ao mundo aportam em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, pequena cidade que pretende se tornar o centro das atenções por conta da regata (veja matéria nesta página).
A Withbread, que acontece de quatro em quatro anos com partida e chegada em Southampton (Inglaterra), é uma ambiciosa competição que tradicionalmente reúne os melhores velejadores de vários países. Eles deixaram Southampton no dia 21 de setembro do ano passado e desde então já cumpriram quatro etapas, somando 15,5 mil milhas náuticas (27,9 mil quilômetros). Na primeira, chegaram a Cape Town (África do Sul), depois de contornar Fernando de Noronha. Depois, cruzaram o Oceano Índico até Fremantle (Austrália). Em seguida, aportaram em Sydney, também na Austrália, para então cumprirem a quarta etapa, até Auckland (Nova Zelândia). Amanhã, os nove barcos estão zarpando de Auckland para enfrentar a ‘‘perna’’ mais difícil da competição - cruzar o Cabo Horn e chegar a São Sebastião.
A bordo das mais velozes e sofisticadas máquinas de regata - os W60, considerados os Fórmula 1 dos oceanos, projeto de Bruce Farr - as tripulações de 12 velejadores de cada barco enfrentam não só condições climáticas que vão de ventos capazes de rasgar velas e partir mastros até calmarias tediosas, mas também a pressão psicológica de estar em uma competição que envolve milhões de dólares. A convivência em um espaço confinado, durante meses a fio, exige preparo mental. A necessidade de força e destreza nas manobras requer um intenso condicionamento físico, iniciado meses antes.
Este ano, nove barcos estão na disputa: EF Language e EF Education (ambos da Suécia), Merit Cup (Mônaco), Toshiba (EUA), Chessie Racing (EUA), Kvaerner Innovation (Noruega), Silk Cut (Inglaterra), Brunel Sunergy (Holanda) e Swedish Match (Suécia). O America’s Challenge (EUA) abandonou a regata na primeira etapa, depois que os patrocinadores anunciaram que estavam se retirando.
O investimento nos barcos é alto. No Toshiba, por exemplo, foram gastos R$ 15 milhões para equipá-lo com o que há de mais moderno em tecnologia de navegação, além do treinamento da equipe. Os dois barcos patrocinados pela escola de línguas EF - o EF Education e o EF Language
- representam juntos um investimento de R$ 20 milhões.
A tecnologia, que garante a conexão dos computadores de bordo com satélites, permite que cada skipper (capitão) saiba exatamente onde estão os outros competidores, acompanhe as previsões meteorológicas e repasse informações à sua base, via Internet, sobre condições do barco e da tripulação, além de alimentar a imprensa mundial com detalhes sobre cada dia da aventura.
Tudo isso garante performances jamais vistas. Para se ter uma idéia, o veleiro Silk Cut bateu o recorde de velocidade na etapa entre a África e a Austrália, ao cobrir 450 milhas náuticas em 24 horas. Isso significa que ele é duas vezes mais rápido do que o mais rápido veleiro oceânico brasileiro.
Em 1997, a Volvo assumiu o patrocínio mundial do evento. Na próxima edição, a regata já deve perder o nome Withbread para se transformar em ‘‘Regata Volta ao Mundo Pelo Troféu Volvo’’. O investimento é de cerca de R$ 300 mil.
As etapas seguintes são de São Sebastião a Fort Lauderdale (EUA), com 4.750 milhas náuticas; Fort Lauderdale a Annapolis/Baltimore (EUA), com 870 milhas; Annapolis/Baltimore a La Rochelle (França), com 3.390 milhas; e por fim a etapa mais curta: as 450 milhas entre La Rochelle a Southampton (Inglaterra), onde devem chegar no final de maio.

mockup