O ano de 2013 foi de "debandada" de audiência da tevê brasileira. Embora ainda seja o veículo mais poderoso, capaz de invadir a casa de um público numeroso sem grande esforço, a "crise" é séria e não é novidade. Há pelo menos 10 anos, a televisão vem perdendo participação entre as mídias. No ano passado, por exemplo, Globo, SBT, Record, Band e Rede TV! já haviam apresentado índices nada animadores. A Globo, em especial, registrou sua pior audiência anual, com média nacional de 17 pontos. Para efeito de comparação, uma década atrás, na faixa de 7h até 0h, a emissora marcava 22,2 pontos. E, quando não poderia piorar mais, dados da medição de janeiro a novembro de 2013 já atestam uma nova queda para a Globo. No período, a emissora exibe média diária de 16,4 pontos.
Especialistas, executivos e diretores de tevê ainda tentam entender e conter os baixos índices de audiência do ano, mas sem muito sucesso. "Os fatores que revelam a audiência de um programa de tevê são complexos. Época de lançamento, chuvas, feriados, muitas coisas influenciam. Nossa missão é garantir a qualidade e o faturamento. Nesses quesitos, a Globo está muito bem", ressalta Carlos Henrique Schroder, diretor geral da emissora.
Atualmente, o grande "calo" da programação da Globo é justamente seu carro-chefe: a telenovela. Com exceção de "Amor à Vida", que ainda consegue superar os 36 pontos no Ibope e repercutir entre o público, "Malhação", "Joia Rara" e "Além do Horizonte" seguem patinando abaixo dos 20 pontos. A média da novela teen estacionou em 12 pontos desde sua estreia. Sem o "levante" necessário, o visual rebuscado e elenco de primeira da trama das seis não são o suficiente para o folhetim sair dos 18 pontos. Pior ainda é a situação de "Além do Horizonte". Com história inovadora e estética arrojada, a novela sofre com a rejeição do público e, com um mês no ar, registra 19,8 pontos, quando a média-base do horário seria 35.
Em comum, as novelas das seis e das sete têm a direção de núcleo de Ricardo Waddington. "São duas produções que apostam em algo que foge do lugar-comum. Tenho a tranquilidade de saber que minha equipe está dando o melhor de si. Trabalho com o mesmo empenho que tive em produções de sucesso, como ‘Avenida Brasil’, mas é impossível saber o que vai cair no gosto do público", analisa o diretor.
A área de teledramaturgia da Record e do SBT também dá sinais de fraqueza. Com "Pecado Mortal", de Carlos Lombardi, a Record está empacada nos 8 pontos e continua na busca pelos dois dígitos de audiência. Sua última novela a conquistar a meta foi "Vidas em Jogo", de 2011. "Estou fazendo a minha parte e acho que a novela está ótima. Mas o público fugiu da emissora depois de ‘Máscaras’. Aos poucos, estamos reconquistando o espaço perdido", justifica Lombardi.
No SBT, o problema está na modesta repercussão do remake de "Chiquititas", previsto para ter tanto êxito quanto a versão nacional de "Carrossel", exibida até julho deste ano. A história das meninas do orfanato Raio de Luz rende à emissora média de 9,9 pontos até agora contra os 14 da antecessora. "’Carrossel’ foi um fenômeno inesperado e são produtos feitos para públicos diferentes. Ao menos na média até aqui, ‘Chiquititas’ consegue manter a emissora na vice-liderança e com alta rentabilidade", compara Glen Valente, diretor comercial da emissora.

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