Vasto cardápio sonoro
Nelson Sato
De Londrina
Tente se lembrar dos vários sinônimos que a imaginação popular inventou para o órgão sexual feminino. Se você se esqueceu de algum, consulte o encarte do CD Bailão Classe A, o disco de estréia da banda carioca The Funk Fuckers. Estão todos lá, inspirando os versos das dezenove músicas do disco.
Vâmoaniquilá polícia / vâmoaniquilá político safado / vâmoaniquilá mentira / vâmoaniquilá hipocrisia / vâmoaniquilá seu hímen cantam eles na segunda faixa. É essa verve desbocada que o The Funk Fuckers traz hoje a Londrina, onde toca na casa noturna Psicatto Disco (Rua Quintino Bocaiúva, 846), com abertura da banda local X-Mama.
O show começa às 23 horas. O FF, a exemplo de várias bandas surgidas na metade dos anos 90, também é adepta da mistura de gêneros. Seu cardápio sonoro incluiu rap, hardcore, soul, reggae e especialmente funk. Nas novas músicas, fomos mais fundo ainda no funk dos anos 70 e no uso da eletrônica conta, por telefone, o baixista Gracindo.
As novas músicas serão mostradas no show de hoje ao lado das composições antigas. Fazem parte do repertório do segundo disco, cujo lançamento está previsto para o meio do ano. Segundo o baixista, a banda abandonou o vocabulário chulo explorado no primeiro CD. As palavras foram esmerilhadas diz, rindo.
Rolou muita crítica na época. Fomos até censurados em uma rádio, quando a música de trabalho estava em segundo lugar entre as mais pedidas. Para não enfrentar os mesmos problemas, preferimos mandar o recado de outra maneira. Vale lembrar que a estréia fonográfica rendeu uma treta com o deputado estadual Sivuca.
Numa das músicas do disco, a banda chamava o parlamentar de corrupto puxando um refrão impublicável. O político, que ficou famoso no Rio por ter declarado que bandido bom é bandido morto, deu o troco acusando os rapazes de serem patrocinados pelo tráfico de drogas do morro do Borel e pelo Comando Vermelho. De lá para cá, os Fuckers fizeram vários shows pelo País, participaram de festivais, sofreram mudanças na formação e depois sumiram da mídia.
Agora estão de volta ao estúdio. Além de Gracindo, a banda conta com BNegão (vocais), Paulão (vocais), Muzack (guitarra), Flávio (bateria) e Pedro (trumpete). Os ingressos para o show estão à venda a R$ 7,00.





