Vários favoritos para a premiação do FICA
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sexta-feira, 15 de junho de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Cidade de Goiás, especial para a Folha 2 
Com a entrega de troféus e prêmios em dinheiro aos vencedores das diversas categorias - R$ 240 mil, a segunda maior premiação em festivais brasileiros -, termina hoje na Cidade de Goiás o 9º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental Ontem, a titular da Agência Goiana de Cultura (Agepel), com status de Secretaria de Cultura, e o coordenador do evento, cineasta João Batista de Andrade, encontraram a imprensa para balanço e troca de idéias sobre os muitos acertos e alguns equívocos da mostra ambiental, considerada hoje uma das mais importantes no gênero, em âmbito mundial.
No geral, os pontos focais são positivos, mas alguns compartimentos do festival podem ser lapidados. Como a distribuição de pacotes de filmes alocados nos dois bons espaços de exibição estrategicamente centrais. Menos filmes por sessão, maior flexibilidade de horários, isto é, nenhuma simultaneidade na programação. Faltaram coletivas, ou debates com os realizadores, apresentados em conjunto aos jornalistas somente quando o festival já ia adiantado.
Quanto aos filmes em competição, uma seleção brasileira e estrangeira perfeitamente conectada como a diversidade de problemas ambientais que flagelam a humanidade. Filmes, no entanto, que poderiam ser ainda melhor avaliados não estivessem tão apertados na grade de programação. Entre os destaques que devem ter recebido atenção especial do júri para a premiação, os longas ''Khadak'', ''King Corn'', ''Ainda há Pastores ?'' e ''Tabac, La Conspiration'' não devem sair de mãos abanando. Há também médias e curtas-metragens de alto nível, tanto em celulóide quanto em vídeo, além de duas séries de TV.
Ontem foi dia de reverenciar a única ficção selecionada, o longa ''Khadak'', co-produção belgo-alemã dirigida por Peter Brossens e Jéssica Woodworth. Se existe um cinema de ficção que pode ser rotulado de etnográfico, este é um título que é parte visceral do gênero. Ambientado nas estepes da Mongólia, entre nômades criadores de ovelhas, o filme se concentra no drama do atormentado jovem Bagi (Batzui Khayankhyarvaa), que, segundo a tradição, está destinado a se tornar xamã. Para a medicina do Estado, contudo, sofre de epilepsia.
O conflito entre a cultura ancestral e a sociedade moderna globalizada está também no pano de fundo: sob o pretexto de que uma praga contaminou seus rebanhos, as famílias nômades têm seus animais confiscados e são removidas para um vilarejo onde funciona devastadora mina de carvão. Há uma analogia evidente: do mesmo modo que as tradições culturais são conspurcadas pela mentalidade capitalista urbana, a magnífica paisagem da Mongólia é agredida por horrendas minas, escavadeiras, guindastes e chaminés, sob a tutela de um regime político repressor e corrupto.
''Khadak'' brinda o espectador com a construção de um mundo estranho e altamente pictórico, com o predomínio das grandes extensões desertas. Alguns planos parecem saídos da paleta de mestres da luz e da sombra - dicotomia que é afinal o tema metafórico do filme. O impacto do insólito universo criado vai muito além da ''mensagem'' política e ecológica do longa-metragem.


