O lançamento da Varig Travel, nova operadora de turismo do país, que pretende atuar no Brasil e no exterior, foi uma das novidades da 13 edição da Feira de Turismo de Gramado. A criação da nova operadora é resultado de uma fusão entre o grupo Varig e a Fundação Ruben Berta Participações (FRB-Par/Varig) com a Panexpress. A empresa nasceu com 11 filiais próprias, que detêm 50,01% do capital, e 33 associados, que são as antigas lojas da Panexpress.

A meta da empresa é ser uma das maiores operadoras de turismo do país, mas principalmente ''exportar turismo''. De acordo com Manuel Lourenço, diretor executivo da Varig Travel, a ''exportação do turismo'' é trazer o turista estrangeiro para dentro do país. E para isso está previsto para o segundo semestre do próximo ano a abertura de franquias em seis países da Europa onde a Varig já atua, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, França e Inglaterra.

Na Argentina, uma filial deverá ser aberta já no primeiro semestre do ano que vem. ''Hoje a maior transportadora da Argentina é a Varig, e conhecemos muito bem o mercado lá fora. Para vender turismo com o destino Brasil é preciso criar a necessidade, um anseio no consumidor'', afirmou.

O diferencial para conquistar o cliente, segundo Lourenço, não será o preço, que serão os mesmos praticados no mercado, mas a qualidade do produto. ''Pretendemos deixar de ser uma operadora tradicional para acrescentar uma coisa a mais no produto e o cliente terá a confiança de 75 anos de atuação da Varig. A intenção é deixar de lado o pacote 'enlatado' e fazer pacotes especiais, personalizados, para as classes A, B e C. Baixar o preço ou bater a CVC não são as metas principais'', disse. A empresa deve atuar também com cruzeiros marítimos, turismo rodoviário de longo alcance, ecoturismo e turismo de aventura, além de eventos e viagens de negócios, feiras e congressos.

Todos os 130 aviões da Varig estarão disponíveis para a nova empresa, mas de acordo com o diretor executivo a essência da empresa não é lotar seus aviões. ''Vamos utilizar todos os aviões e recursos que existirem, claro que preferencialmente os da Varig, mas isso não impede o uso de outras companhias nos pacotes de turismo'', explicou.

Para os consumidores, Lourenço explica que a empresa não corre o mesmo risco que a Soletur. ''Nosso foco é o turismo, levar o turista ao destino e proporcionar lazer. A Varig Travel não vai comprar navios, ônibus ou mais aviões, vai utilizar os meios disponíveis no Brasil e no mundo. Não vamos gastar dinheiro com o que já existe'', afirmou Lourenço.

Os planos da empresa que poderiam ser considerados ousados, para Lourenço, na verdade, são bem factíveis. ''O mercado do turismo no Brasil movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano, e a CVC, por exemplo, não deve ter mais de R$ 200 milhões de faturamento, o que não representa nem 10% do mercado. A Varig tem faturamento de US$ 4 bilhões por ano com a aviação, por isso não é nenhum sonho a previsão de faturamento de R$ 500 milhões entre 2002 e 2003 para a Varig Travel, em função da exportação de turismo'', disse.

Para Valter Patriani, diretor geral de vendas da CVC, que se tornou a líder do mercado com a falência da Soletur, a entrada da Varig Travel no mercado não é considerada uma concorrência. ''Não é uma ameaça, ninguém nasce grande no mundo. Acredito que a Varig Travel será, na verdade, uma fomentadora de destinos'', explicou Patriani, que fez questão de enfatizar que a relação com a empresa de aviação e os tarifários não mudam.

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