VARIEDADES
Wilmar Klein
De Curitiba
Especial para a Folha2
Em meio a tantos filmes e séries descartáveis exibidos na TV aberta (e mesmo na TV a cabo), dá gosto (re)ver um farvestão como Consciências Mortas, (The Ox-Bow Incident, 1943), atração da Bandeirantes à 1h45 da madrugada de sexta. Dirigido por William A. Wellman (o mesmo do clássico Beau Geste, de 1939) e contando com um elenco de primeira (Henry Fonda, Anthony Quinn e Dana Andrews à frente), tem sua história ambientada numa pequena cidade do Estado de Nevada (EUA) a Ox-Bow do título original , em 1885, quando dois pacíficos vaqueiros assistem ao linchamento de três homens injustamente acusados do assassinato de um fazendeiro. Baseado em romance de Walter van Tilburg, é um western de tese, seco, direto, resultando na mais vigorosa condenação da prática do linchamento já mostrada na tela. E também uma aula de cinema concentrada em 73 memoráveis minutos.
Mais uma dose
Inédita nos cinemas brasileiros, o horror bagaceira Um Drink no Inferno (1996), de Robert Rodriguez (El Mariachi, A Balada do Pistoleiro), teve uma continuação, agora disponível em vídeo. A coisa chama-se Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento (From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money), foi produzida este ano e tem direção de Scott Spiegel (co-roteirista de Uma Noite Alucinante, de Sam Raimi). Saem George Clooney e Quentin Tarantino (protagonistas do filme anterior), entram Bruce Campbell, Tiffani-Amber Thiessen, Robert Patrick e outros canastrões. A história gira em torno de um grupo de bandidos que vai ao México para roubar um banco e é atacado por vampiros (só mesmo no México, terra do chupa-cabra, é que acontecem essas coisas!). Filme do tipo é ruim, mas é bom, agradará (eu acho) cinéfilos com senso de humor e estômago pouco sensível: Spiegel parodia (homenageia?) Hitchcock (repare na variação da clássica cena do chuveiro de Psicose, com um morcego fazendo as vezes de Norman Bates) e também Stanley Kubrick, David Lynch, Oliver Stone e outros mais, sempre com resultados grotescos. Se quiser conferir, o risco é todo seu.
EST na Rede
Se a sua praia (como a minha e de outros gatos-pingados) é som industrial, noise, música abstrata e demais formas afins de experimentalismo, recomendo uma visita ao site ESTWeb, do EST Magazine, que você encontra no condomínio de homepages Brainwashed. Digite www.brainwashed.com, chique em Music na página de abertura, depois em Axis Archive e, na seção Arts & Humanities Links, o ESTWeb Index. No cardápio, entrevistas com grupos e artistas inventivos desconhecidos no Brasil como os improvisadores eletrônicos do Morphogenesis (Michael Prime à frente), o surrealista Somewhere in Europe, Nocturnal Emissions, zoviet france, Onomatopoeia , os minimalistas históricos Tony Conrad e Charlemagne Palestine, o pioneiro da música concreta Pierre Henry, mais Holger Czukay (da banda alemã Can), Asmus Tietchens, etc., etc. E também excelentes artigos (recomendo, principalmente, o longo A Prehistory of Industrial Music) e resenhas (o material, é bem verdade, não é recente, mas vale como uma iniciação confiável a muita coisa criativa). Mais: um índice de links com artigos e ensaios, grupos, artistas solo, discografias, zines e outros itens interessantes. Acesso a uma aventura sonora; pena que sejam tão poucos os que se dispõem a empreendê-la.
Antes tarde ...
... (mas é que só agora terminei de ler o livro) vão aqui as minhas apologias ao Ernani Buchmann pela sua obra Os Heróis da Liberdade, lançado pela Letraviva Editora, de Curitiba. Nem parece que é o primeiro livro de ficção do Ernani, e vai ser uma p... injustiça se ele não acontecer nacionalmente. Minhas apologias, também, aos jornalistas Hugo SantAna e Sandra Pacheco, autores de Maurício Fruet: Um Brasileiro Cordial. Confesso que não botei fé (de livro sobre político eu fujo), mas, mesmo, assim, resolvi folhear e me surpreendi. Um Brasileiro Cordial é cheio de causos deliciosos, muito bem contados. Dá até a impressão de que o espírito do Sebastião Nery baixou no Hugo e na Sandra ...
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