Estelio Feldman
O escritor Jeffrey Archer, inglês, tem em seu currículo alguns livros muito bons, o que, naturalmente, faz com que se receba com curiosidade e interesse qualquer obra nova, como é o caso de ‘‘O Quarto Poder’’, livro publicado originalmente em 1996 e lançado agora no Brasil. Com 710 páginas, conta a história de dois poderosos magnatas da imprensa, conforme está explicitado na capa, em uma luta para dominar o chamado ‘‘quarto poder’’, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Dois personagens diferentes, de origens diversas, transformando-se em rivais e, por causa desta luta, praticamente se destruindo mutuamente.
O tema não é novo, mas bem trabalhado pode oferecer muito atrativo. Ademais, o próprio renome de Archer leva o leitor a buscar com sofreguidão o novo livro. Todavia, é difícil conter a decepção. O autor repete aqui a mesma estrutura de outros de seus romances, o que não chega a ser um erro. O problema é que não chega nem perto da densidade obtida nas obras anteriores.
A repetição do tratamento, como por exemplo, em ‘‘Caim e Abel’’, sem dúvida a melhor obra de Archer, e ‘‘Primeiro Entre Iguais’’, embora os personagens estejam envolvidos neste romance em uma trama envolvendo jornais e revistas, fica muito evidente. Pior é que ao contrário do que ocorre em outras obras, falta a esta um maior e mais interessante aprofundamento que poderia dar ao romance um interesse maior.
O que se tem, no fim, são pouco mais de 700 páginas que relatam uma história quase linear, sem maiores emoções. Fica tudo muito superficial, não há uma relação mais intensa no desenvolvimento das tramas (na verdade nem há tramas efetivas), os personagens centrais acabam sendo mesmo os únicos, verdadeiros cometas e riscar um céu sem nenhum outro astro.
Poderia ser até aceitável, já se viu romances em que um só personagem consegue prender e levar o leitor. Mas como falta aprofundamento, o que se tem é uma sequência que chega a decepcionar, para o que contribuem inclusive alguns chavões e lugares comuns inaceitáveis em uma obra de tal pretensão.
A impressão é a de que Jeffrey Archer (e seus editores) considerou que seria suficiente usar o mesmo estilo de outras obras, contar a história de dois homens em luta para subir na vida e que têm origens muito diversas para ter sucesso. Só que não é bem assim. ‘‘O Quarto Poder’’ é um tipo de promessa que não se cumpre, um livro que poderia ser descartado da obra de Archer sem nenhum problema. Uma pena porque o autor dá mostras, como alguns outros de sua geração, de estar chegando ao fim de sua capacidade de entreter com boas histórias.Em ‘‘O Quarto Poder’’, Jeffrey Archer repete a estrutura utilizada em outros romances escritos por ele
ReproduçãoCapa do livro ‘‘O Quarto Poder’’ de Jeffrey Archer (no detalhe): história quase linear e sem maiores emoções

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