Pirapora (MG) - As margens do Rio São Francisco ficam repletas de mulheres com bóbis nos cabelos, crianças voltando da escola, senhores de chapéu. As cidades ribeirinhas simplesmente param. Tudo para ver o barco a vapor Benjamin Guimarães, que volta a fazer viagens longas pelo Rio São Francisco depois de mais de 20 anos. Para os mais velhos, a embarcação traz recordações de tempos em que os vapores eram uma constante na paisagem, ligando Juazeiro, na Bahia, a Pirapora, em Minas Gerais.
As funções do Benjamin não são as mesmas da década de 1920, quando chegou ao País, vindo do Rio Mississippi (EUA). Aposentado desde os anos 1980, o barco voltou a fazer pequenos passeios, de três horas de duração, depois que foi restaurado, em 2004. A partir de fevereiro de 2008, no entanto, ele fará viagens de cinco noites (ida e volta) entre Pirapora e São Romão, com paradas em Barra do Guaicuí, Ibiaí e Cachoeira do Manteiga.
Apesar das reformas, o vapor navegará exatamente do mesmo modo de quando chegou ao São Francisco. Segundo a Prefeitura de Pirapora, é o único no mundo que ainda funciona com o maquinário original, sem motor. Segue a lentos 18 km/h, com uma fornalha alimentada, hoje, por madeira de reflorestamento.
Não há mais as redes da classe popular, as quais, nas viagens do passado, dividiam espaço com os maquinários. Agora, a navegação é para no máximo 28 pessoas. São 14 cabines, localizadas no segundo piso, com beliches - nada de cama de casal. Redes, só para descanso, na parte superior do barco, o Bambuzinho.
É nesse piso que fica também a cabine do comandante. Subir ali, ao contrário dos grandes navios de cruzeiro, não é proibido. Nada de instrumentos cheios de tecnologia. Leme, rádio e as placas de direção colocadas pelas margens do Velho Chico: isso é tudo o que a tripulação usa para navegar.
Receptividade e gastronomia são os pontos altos do programa. Fernando de Paula é o responsável pelo cardápio de delícias da culinária mineira. Com a ajuda de duas cozinheiras, prepara dourado assado, feijão-de-tropeiro, carne moída com quiabo, moqueca de surubim e medalhão de filé mignon com molho madeira. Isso sem falar nas sobremesas...
No dia-a-dia, o badalar do sino avisa os hóspedes que a comida está na mesa. É só se servir, à vontade. Mas na última noite, no tradicional jantar com o comandante, os pratos são servidos à la carte. No cardápio, ingredientes comuns da cozinha local ganham uma versão refinada, como a deliciosa entrada de banana recheada com mussarela e presunto.
Quem embarca no Benjamin, no entanto, precisa ter em mente que o barco é de 1913 e, apesar das reformas, mantém o desenho original. As cabines são pequenas e os banheiros (dois masculinos e dois femininos), compartilhados. Não há ar-condicionado e o repelente contra insetos - disponível no quarto - será seu melhor amigo no percurso. E, mesmo com tanta água, não há paradas para banho de rio.
Para 2008, estão programadas seis saídas do Benjamin Guimarães, em feriados. O pacote de cinco noites, com refeições e bebidas, custa R$ 2.880, sem aéreo. Informações: www.paradisoturismo.com.br.

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