São Paulo, 11 (AE) - Vanusa vai dramatizar os mais importantes momentos de sua vida no musical "Vanusa - Ninguém É Loura por acaso", que estréia amanhã, às 21 horas, no Centro Cultural Santa Catarina, em São Paulo. A idéia do espetáculo surgiu quando a jornalista Léa Penteado, amiga de Vanusa há 25 anos, leu a autobiografia da cantora "A Vida não Pode Ser só Isso", lançada há dois anos. Observando que muito da artista não estava presente no livro, a jornalista resolveu escrever um roteiro mais abrangente. "Se a Vanusa não contasse a sua vida agora, um dia, após a sua morte, alguém o faria", justifica Léa.
No espetáculo, Vanusa intercala narração com interpretação de seus sucessos, enquanto imagens de filmes e fotos vão sendo projetadas em um telão instalado no fundo do palco. "O espetáculo permite que eu solte os meus demônios", diz Vanusa. Para ela, a peça é uma oportunidade para o público conhecê-la melhor e saber que o artista é igual a qualquer ser humano. "As pessoas acham que o artista é diferente. Pensam que não temos problemas", diz.
A cantora está se preparando para "Ninguém É Loura por acaso" há três meses. Perdeu sete quilos, cortou o longo cabelo e diz que está se sentindo muito feliz. O monólogo tem episódios comoventes, como ao relembrar a triste infância e o seu tumultuado casamento com Antônio Marcos. "Antônio Marcos foi e ainda continua sendo marcante na minha vida", conta Vanusa. Há, também, momentos engraçados, em que ela expõe suas relações conjugais e conta piadas criadas por ela, entre outras coisas.
"Sempre coloquei uma forte carga dramática na interpretação de minhas músicas", afirma Vanusa. Nos seus 32 anos de carreira, iniciada em 1967 com a Jovem Guarda, ela gravou 23 discos, o mais novo é "Sobrevivo". No espetáculo ela incluiu uma homenagem à mulher, "Eu Sobrevivo", uma versão criada por Paulo Coelho para I Will Survive, de Gloria Gaynor. Em teatro, Vanusa participou da remontagem do musical "Hair", em 73. Na época elogiada pelo diretor Altair Lima, ouviu ele lhe dizer: "Você tem muito talento como atriz." Convidada a interpretar cantoras em teatro, não se interessou. Agora, Vanusa acredita que "chegou a hora", já que vai poder colocar em cena o seu lado de atriz, de cômica e, claro, o de cantora.
A montagem conta com profissionais que se dispuseram a fazer o trabalho por amizade. "É uma ação entre amigos", define Léa, também produtora. Cada uma delas define esta oportunidade de realizar "Ninguém É Loura por acaso" misticamente. Léa diz: "A Vanusa é budista e eu católica: foi a nossa fé que fez com que tudo desse certo." Já Vanusa declara: "Parece que o universo está conspirando a favor da gente." Serviço - Vanusa - Ninguém É Loira por acaso. Sexta e sábado, às 21 h; domingo, às 20 h. R$ 20,00. Centro Cultural Santa Catarina. Avenida Paulista, 200, tel. 238-4190.

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