Vanguarda brasileira na terra do Tio Sam
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Nelson Sato 
A poesia visual remonta há séculos. No Ocidente, a vertente veio à luz com a atuação das vanguardas dadaísta e futurista em guerra contra as tradições literárias.
No Brasil, coube ao movimento da poesia concreta introduzir a herança afunilando as conexões entre as palavras e as artes gráficas. Nas duas últimas décadas, as criações na área intensificaram-se com a exploração das novas tecnologias, o que acabou restringindo a prática a um reduzido círculo de iniciados.
Nomes como Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Álvaro de Sá, Wlademir Dias-Pino e Glauco Mattoso são familiares aos que apreciam experimentalismos do gênero. Não por acaso, eles foram escalados para participar da mostra Brazilian Visual Poetry (Poesia Visual Brasileira), que começa hoje no Mexico-Art Museum, em Austin, Texas, nos Estados Unidos.
A exposição fica em cartaz até o dia 17 de março. A curadoria é da brasileira Regina Vater, que reuniu trabalhos de 53 artistas de diversas regiões do país. Regina está radicada nos Estados Unidos desde 1980. Já expôs centenas de instalações, além de obras em fotografia, filme, vídeo, performance, desenhos, e, claro, poesia visual.
Desde a sua primeira exposição individual em 1964, teve uma carreira intensa e precoce. Em 1967, já representava o Brasil junto com Hélio Oiticica, Rubens Gerchman e Anna Bella Geiger, na Bienal de Paris. Morando no exterior, nunca deixou de divulgar e produzir eventos de arte brasileira. Em 1982, editou um número da Flue, a primeira publicação americana sobre arte latino-americana de vanguarda.
Em 1984, organizou uma mostra de arte experimental latino-americana na galeria Art Awareness (Nova York) contando com nomes como Alfredo Jaar, Ana Mendieta, Papo Colo, Liliana Porter e Catarina Parra. Ao longo dos anos 90, continuou mostrando suas próprias criações e ajudando na difusão da produção artística nacional de ponta.
A mostra de Poesia Visual Brasileira, sua nova empreitada, será registrada numa pequena brochura contendo textos assinados por críticos e estudiosos do assunto. A publicação supre uma lacuna, já que a bibliografia sobre o tema permanece escassa. Uma leitura recomendável para os leigos é o volume Poesia Visual Vídeo Poesia, de Ricardo Araújo, publicado recentemente pela editora Perpectiva em sua famosa coleção Debates.
O livro inclui entrevistas com Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Júlio Plaza. Aos mais curiosos, uma versão bilíngue (inglês e português) e integral da exposição americana estará disponível online, a partir de hoje, no site www.imediata.com.


