Van Dam canta de Brahms a Ravel no Municipal
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Antonio Gonçalves Filho 
São Paulo, 10 (AE) - O baixo-barítono belga José Van Dam apresenta-se na segunda e na quarta-feira, às 21 horas, no Teatro Municipal de São Paulo, dentro da temporada internacional do Mozarteum Brasileiro, cantando peças de Brahms, Richard Strauss, Fauré, Duparc e Ravel. Van Dam, conhecido no cinema como o Leporello do filme "Don Giovanni", de Joseph Losey, também atuou num filme de seu compatriota belga Gérard Corbiau, "O Mestre da Música" (1988). O filme de Losey é genial. O mesmo não se aplica ao filme de Corbiau, que é perfeitamente esquecível . Em ambos os casos, José Van Dam mostra-se um ator apenas regular.
Isso tem pouca importância. Como baixo-barítono, Van Dam é ótimo. Já gravou com os maiores maestros do século, incluindo Karajan. Fez um elogiado registro de "Os Mestres Cantores" com o maestro Serge Baudo e sua integral das canções de Duparc é o que os franceses costumam classificar de "choc". Sorte dos ouvintes brasileiros. Estão programadas três peças de Duparc no recital brasileiro, "LInvitation au Voyage, Serenade e Le Galop".
Van Dam será acompanhado ao piano por Maciej Pikuski, seu parceiro constante. Nascido há 59 anos em Bruxelas como Joseph Van Damme (isso mesmo, como Jean-Claude, o ator-lutador de full contact), o cantor começou sua carreira na àpera de Paris, fazendo pequenos papéis. Mas foi entre o fim dos anos 60 e o começo dos 70, na àpera de Berlim, que o nome de Van Dam ganhou projeção internacional, levando-o a outras casas de ópera tão respeitadas como a alemã (Covent Garden, Scala). Em 1973, de volta à àpera de Paris, Van Dam ganhou os primeiros papéis e estabeleceu um marco com sua interpretação em "O Navio Fantasma".
Apesar de seu holandês voador, Van Dam não sofre de wagnerite. O baixo-barítono gosta de diversidade. Foi tanto o pobre-diabo de Berg, Wozzeck, como o Ulisses de Dallapiccola. Com seu tipo de bom moço, também estreou a ópera "São Francisco de Assis", de Messiaen, na àpera de Paris, em 1983.
Entre um deprimido assassino e um santo, Van Dam teve a oportunidade de trabalhar com um dos maiores cineastas do século
Jospeph Losey, numa adaptação de Mozart para o cinema. "Don Giovanni", realizado há 20 anos, é o veículo perfeito para quem deseja conhecer Van Dam. No filme, como Leporello, o baixo-barítono torna inesquecível a cena do catálogo, em que o criado faz um balanço das conquistas de Dom Giovanni, Ruggero Raimondi, duro como uma pedra.
É certo que, depois de trabalhar com Losey, um cantor com bom senso pensaria duas vezes antes de filmar com Corbiau, um diretor mediano que só pensa em luxo e riqueza (além de "O Mestre da Música", assinou o equivocado "Farinellli"). Felizmente, Van Dam não vai cantar em São Paulo nenhuma ária do filme de Corbiau. O programa de suas duas apresentações tem canções românticas de Brahms que falam de olhos azuis (Dein Blaues Auges), peças delicadas de Fauré (Aprs un Rêve, entre elas), três títulos de Duparc (LInvitation Au Voyage, Serenade, Le Galop) e Ravel (Trois Chansons de Don Quichotte à Dulcinée).
Os preços dos ingressos no Teatro Municipal são os seguintes: platéia, frisa, camarote e balcão nobre (R$ 110,00); cadeira foyer (R$ 90,00), balcão simples (R$ 70,00); galeria (R$ 35,00) e anfiteatro (R$ 25,00). Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do teatro, na Fnac (Rua Pedroso de Morais, 858), no Mozarteum Brasileiro (815-6377) e ainda por intermédio da Companhia dos Ingressos (883-3508 ou 883-0379) ou do Fast Show (5071-4337/ 0397) e Diners (0800-784440).


