Lestat, o mais erótico dos vampiros, diz que a sua boca pode parecer cruel ou extremamente generosa. Mas é sempre sensual. Talvez por isso, as vítimas dessa estirpe, convertidas em leitores do gênero - que arrebatou à condição de rainha das trevas Anne Rice, a criadora do famoso personagem - não resistam ao mundo da literatura fantástica que, no Brasil, vem revelando novos autores.
''Os vampiros seduziam porque representavam a destruição, um personagem clássico e que se aproximava do mostro. A partir da década de 70, com o lançamento do livro ''Entrevista com o Vampiro'', de Anne Rice'', que inventou um personagem mais humanizado, ele se transformou num herói romântico. Surge um vampiro que seduz de outra forma, fazendo com que as pessoas queiram ser iguais a ele. É esse personagem que hoje faz sucesso. Não representa mais a ameaça. O vampiro de agora é apto ao consumo'', afirma a escritora Giulia Moon, um dos expoentes da literatura vampírica brasileira, que ao lado de outros nomes como André Vianco, Martha Argel, Gianpaolo Celli e Richard Diegues, estão dando o sangue para novas histórias vampíricas em cenários brasileiros.
Moon, que deve lançar em breve o livro ''Kaori - Perfume de Vampira'' pela Giz Editorial, destaca que alguns autores criam enredos com personagens do folclore nacional, mas que as caraterísticas clássicas do vampiro, como o espelho, não podem ser quebradas.
''Sou de origem japonesa e, em Kaori, estou juntando toda esse referência, começando a história em 1647, no Japão Feudal, chegando até os dias de hoje em São Paulo'', conta.
A escritora Martha Argel, organizadora do livro ''O Vampiro Antes de Drácula'' (Editora Eleph), em parceria com o marido, Humberto Moura Neto, está para lançar ''O Vampiro da Mata Atlântica''.
Mesmo usando um enredo nacional para levar os leitores ao mundo dos mortos-vivos, a autora ressalta que a maioria dos escritores de literatura vampírica é inspirada pelo que vem de fora.
''O que percebo é uma apropriação do mito, o que começa a equilibrar um pouco com as características brasileiras. São vampiros que têm como particularidade o poder de transitar por meios, uma visão e cenários brasileiros. São personagens com todas as características brasileiras'', completa Martha.
Editor da Tarja Editorial, Gianpaolo Celli, autor de ''Necropole - Histórias de Vampiros'' (Editora Alaúde), juntamente com Giorgio Cappelli, Richard Diegues, Camila Fernandes e Alexandre Heredia, diz que a figura do vampiro mitológico está de volta, principalmente no Brasil.
São versões brasileiras do Lestat, dono de um poder sedutor, que atrai principalmente o público adolescente.
No entanto, antes de correr atrás dos vampiros inoculados com sangue brasileiro, é melhor se armar de estacas e crucifixos para espantar os ''banguelas''. Quando se trata de literatura de qualidade, nem todos estão à altura dos vampirões hollywoodianos. Tem por aí também muito Bento Carneiro, o vampiro brasileiro.
São obras de autores que são mais fãs do que escritores e conseguem publicar sem o crivo de um editor, o que faz os amantes dos vampiros ainda correrem de medo - e com razão - de alguns títulos nacionais.
Para os que não temem o desconhecido - já que ainda a tradição do gênero são os autores estrangeiros - alguns escritores brasileiros podem surpreender e seduzir com belos vampiros em plena Avenida Paulista.

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