Longe das brincadeiras infantis e (d)efeitos especiais da novela das sete da Globo, ''O Beijo do Vampiro'', dois livros sobre vampiros estão chegando às prateleiras. Recheados de contos e documentos inéditos no Brasil, as novas obras são sérias e, claro, assustadoras.
''13 dos Melhores Contos de Vampiros da Literatura Universal'' já pode ser encontrado nas livrarias. Como diz o nome, é um apanhado da literatura vampiresca, de Bram Stoker, criador de ''Drácula'', a Anne Rice, de ''Entrevista com o Vampiro''. Aqui, esses autores comparecem com ''O Hóspede de Drácula'' e ''O Senhor de Rampling Gate''.
Organizado por Flávio Moreira da Costa, os contos ganharam novas traduções e pequenas notas introdutórias. ''Por tratar de um mito anglo-saxão, não há autores nacionais'', diz Costa.
O livro é o primeiro de uma nova série da Ediouro que vai reunir sempre 13 contos de um gênero, como literatura fantástica ou ficção científica.
O segundo livro vampiresco, ''Voivode - Estudos Sobre os Vampiros'', da editora independente Pandemonium, sai em fevereiro. ''Voivode'' significa ''chefe de Exército'', a denominação com que Vlad Draculya (1431-76) era conhecido - e temido.
O livro, organizado por Cid Vale Ferreira, é uma pesquisa sem precedentes no Brasil sobre origens, formação do mito, análises e ensaios sobre os dentuços. Traz resenhas de filmes, quadrinhos, poesia, prosa e uma batelada de documentos interessantes.
Os góticos e darks vão delirar especialmente com o poema do escritor santista João Cardoso de Menezes e Souza (1827-1915), o primeiro que se tem notícia no país a escrever sobre o tema.
Trata-se do poema ''Octavio e Branca ou a Maldicção Materna'', de 1849. ''É uma espécie de ''Romeu e Julieta' de terror'', afirma o organizador Ferreira. ''No final, o casal morre, renasce durante o velório e mata o pai dela.''
Ferreira encontrou o poema em um golpe de sorte, após ver uma menção a ele numa pequena nota de rodapé em um livro de poesia simbolista. Com as informações, ele encontrou o poema na Biblioteca Nacional, no Rio.
Misturado aos artigos dos oito pesquisadores, historiadores, filósofos e críticos que assinam o livro, há textos de Voltaire (que escreveu o verbete ''Vampiros'' para o Dictionnaire Philosophique de 1764), Bela Lugosi (com ''Eu Gosto de Interpretar Drácula'', de 1935) e diversos anônimos a partir do século 15.
Um desses documentos anônimos é o panfleto alemão ''Sobre o Cruel Tirano Voivode Draculya'', de 1488. Ali estão descritas diversas atrocidades - a mais famosa é o empalamento - cometidas por Vlad Draculya na Valáquia e Transilvânia, hoje Romênia.
''Foi escrito por alemães irritados porque Draculya interrompeu o comércio com os bávaros. Pode ter sido verdade, mas pode ser exagero'', conta Ferreira, que se preocupa em situar os fatos historicamente na obra.
Outro documento impressionante é a descrição das atas do tribunal húngaro que condenou Erzsébet Báthory, a ''Condessa Sanguinária'', a morrer emparedada (numa solitária sem porta). O texto é de 1661 e descreve como ela matou 600 virgens para se banhar em seu sangue.
Além do poema inaugural sobre vampiros no país, ''Voivode'' reúne 13 poesias brasileiras, que comprovam a presença do monstro do arcadismo ao modernismo. Há ainda um site com extras: http://carca sse.com/home/.
''Voivode'' - Org.: Cid Vale Ferreira. Editora: Pandemonium (0/xx/11 4587-9735). R$ 39,90 (368 págs.).
''13 dos Melhores Contos de Vampiros da Literatura Universal''. Org.: Flávio Moreira da Costa. Editora: Ediouro (0/xx/21 3882-8200). R$ 39 (320 págs.).

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