Vampiros aos borbotões
Chega mais de um mês e meio atrasado este restolho de Halloween que entra hoje em território nacional, Londrina inclusive. Um bando de herdeiros de Drácula, em chave de vampirismo modernoso, aterroriza uma cidade gelada nos confins do Alaska, onde reina a escuridão total durante um mês inteiro do ano. Daí o título 30 Dias de Noite, bem a propósito. Durante este período, os caninos dilaceram as gargantas dos habitantes do local, cuja única proteção é o xerife interpretado por Josh Hartnett, ator como sempre apático.
O líder da legião hematófaga é Danny Huston, francamente desperdiçado. Não há quase variação em torno do tradicional tema, como, por exemplo, à maneira de Blade & cia. O diretor David Slade é francamente adepto da teoria do mais é melhor e assim o que o espectador vê é muito pescoço dilacerado, muito sangue e muito vampiro em casacões negros como se fossem extras para a refilmagem daquele velho videoclipe de Michael Jackson, o cult Thriller dirigido por John Landis.
Outro problema: filme de vampiro que se preza não dura muito. No começo há até uma insinuação de se estar diante de um filme decente, trafegando sem complicações nos limites do gênero. Mas ao final a certeza: pelo menos 30 minutos poderiam estar fora sem que se perdesse absolutamente NADA. Os muitos ataques dos vampiros são iguais uns aos outros, o que leva a narrativa ao exercício do tédio.
Há um bom ator nesta mixórdia e uma razão para ver o filme: o jovem Ben Foster, que poderá ser melhor julgado no western Os Indomáveis, que chega em breve ao circuito nacional. Ele faz o mensageiro que chega à cidade antes dos vampiros para intimidar o xerife. E fala com um sotaque que não é de parte alguma, é coisa entre o russo e o francamente insano. (C.E.L.J.)





