''Vampiro'' está sem patrocínio
Antônio Mariano Júnior
De Curitiba
Um dos marcos da história do teatro paranaense e também nacional corre o risco de sair de cartaz por falta de patrocínio. Trata-se do espetáculo O Vampiro e a Polaquinha que em novembro completa sete anos de apresentações ininterruptas e que pode ser visto às terças e quartas-feiras, às 19h30, no miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba. E o prazo máximo para a iniciativa privada enfiar a mão no bolso, com as bênçãos da Lei Rouanet (de incentivo à cultura), está expirando.
Se até final de setembro não aparecer nenhum patrocinador, o elenco de o Vampiro e a Polaquinha sai de cena depois de cerca de mil apresentações vistas por mais de 100 mil espectadores. Mais cedo ou mais tarde um espetáculo sempre acaba por falta de público ou por uma tragédia qualquer, o que não é o caso. Agora, acabar porque não se obteve patrocínio... analisa a atriz Nena Inoue. Segundo ela, a montagem tem sido vista por um público médio de 50 pessoas por apresentação.
Escrito por Dalton Trevisan e com direção de Ademar Guerra, O Vampiro e a Polaquinha estreou em 92 com a expectativa de permanecer em cartaz por não mais que quatro meses. Desde então, três atrizes já incorporaram o papel de Polaquinha a primeira foi Guta Stresser, depois Nadja Naira e atualmente é vivida por Fabiana Klein. Do elenco original, apenas 50% continuam atuando. O destaque fica por conta de Lala Schneider, apontada como a matriarca do teatro paranaense.
A montagem já rodou o interior do Paraná, há coisa de dois anos, e também foi levada para São Paulo. Em todas foi sucesso de público. É um espetáculo que funciona e é aplaudido de pé por onde passa. Ou seja, mesmo com personagens tipicamente curitibanos, que é o universo de Dalton Trevisan, a montagem consegue ser universal diz Nena Inoue.
As esperanças de as cortinas não se fecharem para sempre estão depositadas na campanha Adote um Vampiro e uma Polaquinha, lançada em conjunto pela produção do espetáculo, a Fundação Cultural de Curitiba (Fundacen) e o Centro Cultural Teatro Guaíra, que tem um único objetivo: captar recursos através da Lei Rouanet.
Até o momento o espetáculo continua em cartaz por causa de uma verba de R$ 48 mil bancada pela Copel, via lei federal de incentivo à cultura. Essa providencial importância, suficiente para manter os atores em cena até setembro, veio graças ao empenho da diretora-presidente do Teatro Guaíra, Mônica Rischbieter.
Aliás foi ela também quem foi buscar junto ao Governo do Estado, no final do ano passado, uma saída para que O Vampiro e a Polaquinha não encerrasse a sua trajetória. O meio encontrado foi inscrever um projeto na Lei Rouanet. O Estado foi até onde pôde ir diz ela se referindo ao fato de o espetáculo ter sido abarcado pela Secretaria Estadual de Cultura que produziu a encenação durante três anos pela Fundacen (no teatro Novelas Curitibanas) e outros quatro pelo Centro Cultural Teatro Guaíra (no miniauditório do Guaíra).
Pelo projeto, habilitado pela Fundacen em fevereiro, seriam necessários R$ 230 mil, dos quais R$ 130 mil para pagamento de cachês e o restante destinado à produção, cenário, figurino, músicos, impressão de catálogo, cartazes e divulgação na mídia, entre outros itens. Acontece que houve uma certa demora na aprovação o que aconteceu somente há dois meses.
A consequência foi a perda de um possível patrocínio na íntegra pela Copel que acabou repassando apenas 25% do valor desejado. Ainda de acordo com a diretora-presidente do Guaíra, uma solução seria o patrocínio do espetáculo através de um pool de empresas.Eu acredito que a gente vá conseguir. Além disso, é uma quantia tão pequena para um retorno muito grande porque o espetáculo tem público diz Mônica referindo-se à boa mídia que os investidores teriam.





