'Vamos estrear num lugar mágico'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de março de 2002
Equipe da Folha 
Depois de meses de trabalho intenso, finalmente os 25 bailarinos da Cia. de Dança de Minas Gerais levam à cena Sonho de Uma Noite de Verão. A coreógrafa Cristina Machado coordenou um conjunto de cinco bailarinos que se dividiram para comandar os ensaios: Lair Assis, Sonia Pedroso, Cristina Rangel, Rodrigo Giési e Eder Braz. Tive que usar realmente os cinco coreógrafos em núcleos, porque distintamente haviam cenas que tinham possibilidades de linguagens diferenciadas, lembrou Cristina. O resultado final trouxe uma descoberta: a linguagem clownesca costurando e unificando o trabalho desses coreógrafos.
Tendo por base uma fantasia poética de Shakespeare, que junta humanos e seres elementais em doces armadilhas do amor, construiu-se um bailado que é ao mesmo tempo uma encenação teatral. Enfim, um caminho que, se não tortuoso, pelo menos ousado, foi traçado desde o final do ano passado para cá. Mas para Cristina Machado todos os elementos estão a favor do grupo:
A gente está estreando num lugar muito mágico. Fiquei extasiadamente emocionada quando entrei aqui e vi que íamos estrear o Sonho num espaço como esse. O universo está conspirando a favor, até em cenografia, para que possamos estar oferecendo em emoção e em conteúdo, ao que está mais completo do que nós próprios imaginávamos.
Há um processo de magia no ar, entende ela, que faz com que todas as peças se encaixem numa composição das mais felizes. Essa força está além das nossas mãos em construção coreográfica, ou em concepção, cenografia ou figurino, como foi no início. Chegar ao espírito do clown é a prova contundente das bênçãos dos deuses, pois esse fio condutor traz a alegria que a gente propõe levar ao público, a semente de amor que queremos plantar no coração das pessoas; um momento de esperança, paz, cumplicidade amorosa. Acho que a linguagem do clown foi o grande gancho que só percebemos quando tudo ficou pronto.
Ainda segundo a coreógrafa, o espetáculo como um todo passa pelo verbo e pela intenção do compartilhar. Não há territórios estanques, mas uma unidade entre palco e platéia. Seria como um ofertório em dança, dentro da liberdade do artista em se expressar através dos movimentos.
Tendo à sua volta uma natureza banhada em chuva que caía nesse instante, Cristina se emocionou: Meu Deus, olha só a natureza envolvendo o espetáculo. É como se fosse mais um fenômeno em que se conspira tudo, onde debaixo dessa cúpula maravilhosa algo vai acontecer. Tem uma celebração, e tenho certeza que é linda. Como a estréia nacional do bailado acontece nesta noite haveria, figurativamente, uma pia batismal no palco para o Sonho? Sim, será um momento de consagração, de celebração. (Z.C.L.)


