O Teatro Núcleo I acolhe uma criatura trágica rodriguiana na primeira fase do Filo 2001. Sônia, personagem do monólogo ‘‘Valsa nº 6’’, é cria do ‘‘reaça’’ de suspensórios Nelson Rodrigues. A atriz londrinense Carla Diacov dá vida a uma menina-moça que acaba de morrer e tenta lembrar-se do que aconteceu. ‘‘Coloquei uma morta em cena porque não vejo obrigação para que uma personagem seja viva. Para efeito dramático, essa premissa não quer dizer nada’’, justificou o autor, na época da estréia da peça, em agosto de 1951.
A estréia da versão londrinense de ‘‘Valsa nº 6’’ aconteceu em maio do ano passado e também leva a assinatura de Carla Diacov na direção. Depois de algumas temporadas na cidade e de percorrer as cidades de Cornélio Procópio, Maringá e Dourados (MS), Carla Diacov volta com uma Sônia amadurecida, num evento que dará mais visibilidade à interpretação expressiva e vigorosa atriz.
Na jornada solitária, Sônia insiste em relembrar sua trajetória rodeada por abutres camuflados em pele de cordeiro. A mãe, o pai, o médico e o amante de Sônia deixaram traumas irreversíveis. O dramaturgo abdicou da narrativa linear, colocando-a num eterno estado de delírio e choque.
Carla Diacov escolheu um desenho de palco em que estabelece um elo com o itinerário das imagens do inconsciente da personagem. Ela coloca 40 cadeiras brancas distribuídas estrategicamente no espaço, permitindo ao público compartilhar ou se assustar com o atordoamento da memória de Sônia. Palco e platéia estão integrados. Pode-se ouvir a respiração da atriz, que sente o feed-back do público imediatamente.
‘‘Valsa nº 6’’ será apresentada hoje em duas sessões, às 21 e 23 horas. Amanhã somente às 23 horas.

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