Valorizando a prata da casa
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
A programação de um museu pode chamar muito a atenção do público na medida em que este torna-se um local onde se pode ver grandes exposições vindas de todas as partes. Mas a relevância de uma instituição desse tipo também depende de seu próprio acervo. Desde que iniciou suas atividades em 2003, o Museu Oscar Niemeyer (MON) realiza mostras periódicas dessas obras. A mais recente, ''Acervo'', reúne no salão principal, o Olho, 145 trabalhos de artistas locais, nacionais e internacionais.
De acordo com a curadora da exposição e coordenadora de Acervo e Conservação do MON, Suely Deschermayer, para esta mostra foram selecionadas as obras de maior relevância. Até agora, os trabalhos vinham sendo apresentados por temas. ''Como o acervo não pode ser mostrado todo de uma vez, temos que fazer uma variação'', explica a coordenadora. Além disso, o museu realiza exposições itinerantes pelo interior do Estado. ''No ano passado foram as gravuras. Este ano o tema será 'Paisagens''', explica Suely.
Esta próxima mostra itinerante do acervo do MON terá início no dia 7 de maio, em Paranaguá. De lá, as obras seguem para Morretes, Rio Negro e Ponta Grossa. Prefeituras que quiserem receber a exposição em suas cidades podem fazer a solicitação diretamente ao Museu. ''A gente pode verificar se é possível incluir outras cidades no roteiro. Isso ajuda a quem não pode vir até o Museu, a conhecer um pouquinho o acervo'', afirma Suely.
Entre as obras selecionadas para a mostra ''Acervo'', destaca-se o painel de 4,3 por 6,75 metros, em óleo sobre tela, de Arthur Nisio, chamado ''Chegada de Zacarias Góes e Vasconcellos''. A pintura foi a primeira a ser restaurada pelo Núcleo de Restauro de MON, que iniciou suas atividades no final no ano passado.
Para a professora de arte educação Debora Bacchi, uma mostra como essa é uma boa oportunidade de conhecer mais de perto a arte local. ''Aqui tem muito muito mais que qualquer livro de arte paranaense consegue mostrar. No livro o aluno vê a obra em pequena dimensão, aqui vê a dimensão real. A escultura, que no livro aparece bidimensional, aqui ele pode ver de todos os lados''.
Segundo Debora, os professores do ensino fundamental têm dificuldade de aprofundar as aulas sobre os artistas paranaenses porque em geral o tema tem que ser abordado em apenas um bimestre. ''A gente não consegue enfocar a arte paranaense na escola como gostaria. Eles mal conhecem o Poty'', lamenta a professora.
Estudante do curso de Publicidade e Propaganda, Matheus Mercer, de 21 anos, confirma a opinião da professora. Ele diz que desconhece os artistas locais e geralmente visita exposições de artistas dos quais tem mais informação. ''O que tem nas faculdades e nas aulas dos colégios é sobre esses pintores de fora'', justifica.
Aquisições recentes do MON também estão na mostra ''Acervo''. São obras de Cícero Dias, Djanira, Di Cavalcanti, Maria Bonomi, Pilar Ovalle, entre outros. Segundo Suely, o MON ainda tem lacunas em seu acervo, tanto do ponto de vista cronológico quanto de movimentos de arte e representatividade dos artistas, o que vem sendo corrigido a cada exposição temporária que o Museu recebe. ''Normalmente adquirimos uma obra de cada artista que passa por uma exposição aqui. Estamos construindo peça a peça o que deverá ser um acervo rico e representativo a nível nacional'', afirma a coordenadora.
SERVIÇO
- Acervo
Quando - Até 30 setembro
Onde - Museu Oscar Niemeyer, de terça a domingo das 10 às 18 horas
Quanto - R$ 4 e R$ 2 (estudantes). Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino médio e fundamental, para estudantes até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês
Mais informações - (41) 3350-4400 ou no www.museuoscarniemeyer.org.br.


