Porto Alegre - Mario Quintana (1906-1994) e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) estão lá, na Praça da Alfândega, congelados em esculturas. Juntos, atestam a vocação cultural deste pedaço do centro histórico de Porto Alegre, bem perto do Guaíba. Aquela área abriga, desde 1955, a Feira do Livro, na segunda quinzena de outubro, sempre recheada com lançamentos nacionais e internacionais.

Ali também, em poucos passos, você conhece três importantes museus da capital, um ao lado do outro. Reserve pelo menos um dia para desvendar esse interessante trio. A sugestão é começar a jornada pelo Santander Cultural, o mais animado. Funciona em um prédio construído em estilo neoclássico para ser a sede do Banco do Comércio, em 1932 - o formato original está bem preservado.

O curioso é que alguns espaços antigos foram adaptados de maneira inusitada: um dos cofres do banco, por exemplo, foi transformado em sala de cinema; outro, virou o Café do Cofre, escondido atrás de uma porta pesadíssima e de uma espessa parede. O Moeda Bar e Restaurante funciona no lugar em que ficava o almoxarifado.

Pelos corredores, há uma exposição permanente que relembra os tempos em que o local foi banco, com moedas antigas e máquinas usadas naquela época. Mas o museu também promove mostras inéditas, como a Transfer, que entrou em cartaz recentemente e vai ficar aberta ao público pelo menos até o fim de setembro. A entrada é gratuita.

O grande destaque da exposição, cujo tema discute o universo underground da arte urbana, é uma pista de skate de formas pouco convencionais, montada no salão principal. A plataforma de madeira está aberta a profissionais convidados e também a visitantes, que podem rodar à vontade e conhecer os cerca de 300 trabalhos expostos, entre pinturas, vídeos e fotografias.

Arte
A poucos passos dali está o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, ou simplesmente Margs. O espaço foi organizado pelo professor e artista paulista Ado Malagoli (1906-1994) e existe desde 1954. O Margs reúne cerca de 2,7 mil obras, com pinturas do próprio Malagoli e de outros artistas consagrados, como Cândido Portinari (1903-1962). Mas a maior parte do seu acervo conta com trabalhos de artistas gaúchos, caso de Iberê Camargo (1914-1994).

Localizado entre o Margs e o Santander Cultural, o Memorial do Rio Grande do Sul é o lugar certo para você conhecer a fundo a história gaúcha. O museu funciona desde 1996 no antigo prédio dos Correios de Porto Alegre, construído entre 1910 e 1914. Em 1980, o imóvel foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O andar térreo do memorial expõe, permanentemente, uma linha do tempo que explica de maneira didática a história da região - e começa há 13 mil anos, com a chegada dos primeiros homens. Depois, mostra marcos importantes e mais recentes, como o início da imigração alemã no Estado, em 1824, a Guerra dos Farrapos (1835-1845) e a Revolução Federalista de 1893. Entrada gratuita. (L.F./Agência Estado)

mockup