Válida por um lado, falha por outro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de julho de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Até a implantação da Lei de Diretrizes e Bases, em vigor desde novembro de 96 e que depois de 25 anos promoveu reformas na educação, o professor de primeiro e segundo graus tinha que ser polivalentes no que se referia às artes. Agora, a música, artes plásticas, dança e teatro passam, obrigatoriamente, a ser disciplinas como matemática, física, português entre outros. Ou seja, os professores deixaram de ser polivalentes.
À primeira vista, essa mudança até pode ser vistas com bons olhos. Mas especificamente na parte curricular referente às artes as críticas são muitas. Principalmente porque no documento Parâmetros Curriculares Nacionais, expedido no final do ano passado pelo Governo e que dá as diretrizes do conteúdo que as disciplinas devem contar.
Esse documento veio de cima para baixo. É burocrático porque não ouviram professores e especialistas porque semanticamente dá para entender mas o seu conteúdo específico é pouco acessível - diz Jusamara Souza mestre e doutora em Educação Musical que está ministrando o curso Música para Professores Não Especializados, durante o 18º FML a 40 professores de primeiro e segundo graus.
O que ela está fazendo na sua área, em outras palavras, é o que o MEC deveria fazer principalmente com os professores das escolas públicas: aperfeiçoamento mesmo que esse ou aquele professor não tenha anteriormente qualquer experiência em nenhuma das divisões da área de artes da LDB. Eu acredito que cursos de aperfeiçoamento constantes dão sempre uma boa base- frisa Jusamara que há alguns anos ministra o mesmo curso em escolas da rede pública do Rio Grande do Sul.
Em sua disciplina, os Parâmetros Curriculares Nacionais vão começar a ser esmiuçados a partir de hoje. Até então, juntamente com seus alunos Jusamara está fazendo vivências como valorização, apreciação, produção e execução da parte musical. Ela atenta para um detalhe: a musicalização (vocal e/ou instrumental) tanto nas escolas de ensino fundamental (da pré-escola até as oitavas séries) e ensino médio (segundo grau) deve acompanhar a evolução dos tempos.
O repertório deve-se atualizar. E para isso não pode haver preconceitos já que a mídia impõe aos alunos uma série de músicas que não aquelas sonhadas por todos os especialistas da área. Ou seja, vale-tudo do axé music a Bach, do sertanejo ao Mozart. Cabe ao pedagogo fazer o meio-de-campo já que a escola não tem intenção de formar músicos e sim um ouvinte crítico- afirma. Aos poucos podemos mostrar outro repertório para não se fixar só na mídia- complementa.
Porém, como frisa Jusamara, o mais importante dessa história toda é a qualificação dos professores principalmente os pertencentes à rede pública. E isso é um ponto que o MEC está falhando e muito. Não querendo criticar, mas investir na qualificação de professsores na área musical é muito mais barato, por exemplo, que o projeto TV Escola- compara.
Esses e outros pontos, como explica, devem fazer parte do Encontro da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) que vai acontecer em outubro, no Recife, com o tema Política Educacional e Educação Musical. Lá, os participantes vão tirar um documento, a ser encaminhado ao Mec, que, entre outras coisas, irá questionar e apontar sugestões à LDB na área de música.


