Emprestar câmeras, pedir desconto no aluguel de equipamentos, convidar estudantes de artes audiovisuais para dirigir, pedir liberação no trabalho para fazer as filmagens durante um dia inteiro. Vale qualquer negócio para associar uma música a imagens em movimento, seja em uma produção amadora ou com profissionais da área.
A produtora Destilaria do Audiovisual, por exemplo, filmou quatro clipes este ano. ''As bandas negociam com a gente, e fazemos um levantamento de acordo com o que eles precisam. Sabemos que os independentes não podem investir muito mas mesmo enxugando os custos, um clipe não sai por menos de dois mil reais'', explica Lucas Negrão, que montou a produtora com outros três colegas, das áreas de publicidade, design, rádio & TV.
Muitos dos trabalhos estão sendo exibidos na MTV, que segundo Lucas, está mais flexível em relação aos formatos. Além da universidade, a equipe da Destilaria passou por um curso de cinema de Curitiba.
É interessante notar que vários outros vídeos de bandas feitos na cidade têm direção de alunos da CINETVPR, universidade de cinema que está formando sua primeira turma. ''Para mim, o videoclipe dá liberdade para experimentação. Com ele é mais fácil usar vários tipos de linguagens e narrativas, ou até descartar a narrativa'', observa Fabio Allon, que trabalhou em videos das bandas OAEOZ, Fuzz e Je Revê De Toi.
Entre alguns nomes vindos da escola estão João Krefer (que dirigiu o clipe do Wandula), Bruno Oliveira (Mocambo), Wellington Sari (Mordida), João Marcelo Gomes (Poléxia), Diko Fiorentino, Daniel Rodrigues e Daniel Ozzkeith Grizza. Ozzkeith, que dirigiu o clipe do Subburbia, está experimentando novas linguagens para o clipe do Delta Cockers, ainda em finalização. ''Filmei com duas câmeras fotográficas digitais, vou juntar com cenas de show e com grafismos gerados por um software que transforma som em imagens. Isso tem muito a ver com a proposta da banda'', antecipa.
(R.J.D.)

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