''Hoje vamos celebrar o presente, enquanto olhamos para um passado glorioso. Este é o 84º Academy Awards'', apresentou o comediante Billy Crystal na abertura da cerimônia do Oscar 2012, que foi transmitida ao vivo, no último domingo, para mais de 225 países ao redor do mundo.
O discurso já parecia preparar o terreno para a principal disputa da noite, entre ''O Artista'', do francês Michel Hazavinicius e ''A Invenção de Hugo Cabret'', de Martin Scorsese. Os dois filmes, de maneiras bem distintas (um mudo e preto-e-branco, e outro produzido com a última tecnologia 3D) prestam homenagem às raízes do cinema.

Tecnicamente impecável
Abrindo os envelopes, a comitiva maria-fumaça de ''Hugo'' acelerou com força total, arrebatando todos os prêmios técnicos da noite: Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem e Efeitos Visuais - o que aumentou as expectativas para sua possível vitória nas categorias principais.
Como já era esperado, o vencedor da categoria de Melhor Filme Estrangeiro foi o favorito ''A Separação'', primeira produção iraniana a ganhar um Oscar. ''É um prêmio para celebrar a rica cultura do povo do Irã, que fica muitas vezes escondida debaixo do lixo político'', declarou o cineasta Asghar Farhadi, arrancando sonoros aplausos da plateia.
Em um dos momentos marcantes da noite, a atriz Octavia Spencer foi surpreendida ao receber o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, pelo seu trabalho em ''Vidas Cruzadas''. ''Obrigada pela Academia por me privilegiar dessa maneira'', discursou a atriz, visivelmente emocionada, chorando e soluçando. ''Desculpa, eu estou ficando louca. Obrigada, mundo'', resumiu, desabando em lágrimas.
Não menos impactante foi o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para o veterano Christopher Plummer, pelo seu papel no filme ''Toda Forma de Amor''. Aplaudido em pé, Plummer - de 82 anos - entrou para a história como o mais velho ator a receber um Oscar. ''Eu sou apenas dois anos mais novo do que você, meu querido'', declarou o ator para sua nova estatueta. ''Se eu mereço o Oscar, minha mulher merece o Prêmio Nobel da Paz, por me resgatar e me salvar em todos os dias da minha vida. Eu te amo'', completou, apaixonadamente.

Emoção à francesa
Como não poderia deixar de ser, os envelopes das categorias mais esperadas (e disputadas) da noite foram abertos apenas na reta final da cerimônia. Contrariando as expectativas, o prêmio de Melhor Diretor foi para o francês Michel Hazanavicius, que conseguiu, com seu trabalho em ''O Artista'', desbancar Martin Scorsese, grande favorito na categoria. ''Eu sou o diretor mais feliz do mundo neste momento. Obrigado a vocês por isso'', agradeceu o cineasta, admitindo não ter preparado um discurso. ''Eu não posso deixar de agradecer Uggie, o cachorro, mas acho que ele não está me entendendo. Ele ainda não tem essa habilidade'', apontou Hazanavicius, privilegiando uma das principais 'estrelas' em seu elenco.
Na disputadíssima categoria de Melhor Ator - em que concorriam pesos-pesados como George Clooney (''Os Descendentes'') e Brad Pitt (''Moneyball: O Homem que Mudou o Jogo'') - quem silenciou as expectativas também foi o francês Jean Dujardin. ''Eu amo o país de vocês! Minha carreira foi inspirada por tantas pessoas que estão aqui hoje'', revelou o ator, emocionado. ''Se (o personagem) Valentín pudesse falar agora, ele falaria: Formidáble! Merci! Merci beaucoup!'', completou, aos gritos, o protagonista mudo de ''O Artista''.
Na categoria de Melhor Atriz, uma emocionada Meryl Streep (''A Dama de Ferro'') conquistou o terceiro Oscar de sua carreira. ''Eu posso imaginar que toda a América deve estar pensando: 'Oh, não! Ela? De novo?''', brincou a veterana, com olhos marejados. ''Agora, eu vejo a vida diante de meus olhos. Meus amigos antigos e novos. Isso é o que mais conta para mim. Todo unidos na alegria de fazer filmes'', refletiu, agradecida.
No envelope mais cobiçado da noite, a ousada comédia francesa também conseguiu superar os milhões de dólares de Hollywood. O filme mudo e preto-e-branco ''O Artista'' - uma homenagem maravilhosa ao cinema americano da década de 30 - foi consagrado como o Melhor Filme no 84 Prêmio da Academia. ''Eu queria mandar um beijo para os meus filhos. Agora são seis da manhã em Paris, então já passou da hora de vocês irem para a cama!'', declarou, brevemente, o diretor Michel Hazanavicius. Assim terminou a cerimônia do Oscar 2012: com o palco cheio de franceses, calorosos abraços e brincadeiras do cachorrinho Uggie, que subiu ao palco para receber o prêmio vestindo um charmoso 'smoking' canino.
Na disputa entre dois ótimos filmes - um francês e outro hollywoodiano - a noite acabou em empate: foram cinco prêmios para cada lado, com ''O Artista'' vencendo em todas as categorias principais. Mas não se engane; quem ganhou, nos créditos finais, foi a própria Sétima Arte. Superando expectativas, 2011 entra para a história como um ano em que a produção cinematográfica conseguiu celebrar (e, de certa maneira, até renovar) a magia e o encanto do Cinema clássico.

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