Em ‘‘Outono em Nova York’’ , seu segundo trabalho como diretora, a atriz Joan Chen mergulhou de cabeça no melodrama romântico. Perdeu o fôlego e não voltou mais à superfície, afogando junto espectadores menos prevenidos que atenderam aos apelos do nome forte da dupla central de atores, Richard Gere e Winona Ryder.
‘‘Autumn in New York’’ tem um recorte premeditadamente antiquado. Trabalha de forma recorrente em cima do tema da redenção, e tem um público-alvo muito definido, isto é, espectadores de lágrima fácil e habituados a toda sorte de transbordamentos sentimentais. No roteiro, assinado por Allyson Burnett, os conflitos são tortuosos. Os amores, impossíveis. As enfermidades, terminais. Os personagens carregam na estereotipia – um don Juan demasiado maduro e uma jovem (nem tão jovem para os 22 alegados...) caindo de crédula. Há sempre de sobreaviso uma estética de conto de fadas: vôo de pombas, folhas que caem – afinal é outono,–e violinos que plangem ao fundo. A princípio enquadrada para funcionar como homenagem à cidade, a paisagem de Manhattan termina sendo a mais funcional para um vídeo turístico.
Aos 48 anos, Will (Gere) é dublê de playboy e chef, dono de restaurante da moda, capa de revista, conhecido por suas habilidades como bom vivant, aí incluida a performance como sedutor. Reza o manual do velho roteirista hollywoodiano que o tipo tem medo, quase pavor de comprometer-se afetivamente, optando por superficialidades afetivas e brevíssimas relações com belas novaiorquinas. Charlotte (Winona), ao contrário, é um tipo peculiar, designer de chapéus, tímida, inocente, capaz de se emocionar com a leitura de novelas clássicas do gênero róseo. Ainda crê no amor sincero e verdadeiro.
É claro que entre eles surge imediata e irresistível atração, mas sob a sombra de uma ameaça latente que o espectador conhece desde logo: ela sofre de estranha doença nas coronárias, capaz de liquidar com sua vida em menos de um ano. A partir desta proposta inicial, Joan Chen (intérprete em ‘‘O Último Imperador’’, de Bertolluci, e ‘‘Twin Peaks’’, de David Lynch), se dedica a descrever as várias etapas da relação. Recheado de diálogos impossíveis (do tipo posters e cartões para adolescentes) e de uma dupla central de personagens tão onipresentes quanto insustentáveis, ‘‘Outono em Nova York’’ tem no entanto um virtude: em nenhum momento tenta camuflar os excessos sob de uma espécie de cinismo, um culto que nos ultimos tempos vem contaminando o cinema hollywoodiano. Também a ressalvar escassos méritos humorísticos por conta por conta da avó de Dolly (Elaine Stritch).
Afirmar que se trata de uma história naive e edulcorada é definição insuficiente e até muito generosa. ‘‘Outono em Nova York’’ tem ambições épicas, pretendendo ser uma dessas narrativas maiores que a vida.
Mas seu alcance artístico é definitivamente curto. (C.E,L,J.)

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