Seis meses após a implantação do Vale-Cultura no País, seu uso ainda é restrito, principalmente para a compra de ingressos de cinema. Não porque os usuários não queiram, mas pela falta de convênio entre as operadoras dos cartões e as redes de cinemas.
Em Londrina, o problema parece estar próximo do fim. A Cooper Card anunciou que já fechou o contrato com uma das redes de cinemas de Londrina. "Neste momento, estamos finalizando a habilitação e em breve vamos divulgar a rede conveniada para os usuários, o que certamente irá elevar a satisfação dos usuários", salienta Diego Silvério, gerente de marketing da empresa.
A rede Cinesystem, que conta com seis salas de cinema na cidade, também assinou contrato com duas empresas que operam o Vale-Cultura em Londrina e está finalizando as negociações com um terceira operadora, segundo informou sua assessoria de imprensa.
De acordo com o Ministério Cultura (MinC), das 364 empresas paranaenses cadastradas no programa Vale-Cultura, apenas 31 são de Londrina, que representam 963 trabalhadores com direito ao incentivo à cultura. Mas apesar de estarem aptas a conceder o benefício aos seus funcionários, a grande maioria dos estabelecimentos ainda não contratou uma das operadoras que estão habilitadas para a emissão do cartão do Vale-Cultura no País.
Entre as poucas empresas que já estão liberando mensalmente o benefício no valor de R$ 50 ao seu quadro de servidores em Londrina está a JAPJ Engenharia. "A gente está recebendo o Vale-Cultura há três meses. Mas estamos tendo dificuldades para comprar livros e não há nenhum cinema na cidade que aceite o nosso cartão que é da operadora Cooper Card", reclama Amanda Ortiz, estagiária do departamento financeiro da JAPJ Engenharia.
Segundo a assessoria de marketing da Cooper Card, a empresa solucionou o problema assim que foi informada da dificuldade na utilização do cartões Vale-Cultura em Londrina. A operadora informa que conta com vários estabelecimentos conveniados na cidade, incluindo 16 livrarias e papelarias, quatro lojas de instrumentos musicais e uma locadora de filmes.
Parte dos 2,5 mil trabalhadores filiados ao Sindicato dos Bancários de Londrina também sente dificuldade de utilizar o Vale-Cultura, benefício conquistado na última convenção da categoria, realizada em outubro do ano passado. "É uma excelente chance que os trabalhadores têm de se reciclar culturalmente. Tenho comprado livros com o meu vale mensal e acho uma pena não poder usar o cartão em cinemas e teatros da cidade", avalia o bancário Luciano Moretto.

Filo e FML
Dois dos principais eventos culturais realizados na cidade também estão se preparando para aderir ao Vale-Cultura. Lilian Almeida, coordenadora do Festival de Música de Londrina (FML), informou que devido ao programa ser muito recente não houve tempo suficiente para realizar o cadastro junto ao Ministério da Cultura para aceitar a compra de ingressos com o cartão na edição do evento deste ano. Mas ela ressaltou que é de interesse da organização aderir ao programa federal que facilita o acesso à cultura aos trabalhadores brasileiros.
Luiz Bertipaglia, diretor do Festival Internacional de Londrina (Filo), enfatizou que a organização do evento fará o possível para que os ingressos para as peças de teatro que serão realizadas na cidade entre os meses de agosto e setembro já possam ser adquiridas com o Vale-Cultura.

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