Vale a pena ver de novo?
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Luiz Bartelli<br> Especial para a Folha2 
Em ''Indiana Jones e a Última Cruzada'', lançado em 1989, o público se despedia de um dos personagens mais populares do cinema. Um ano depois estreava na extinta TV Manchete a novela ''Pantanal'', que ficou famosa por desbancar a Rede Globo do monopólio na audiência dos folhetins televisivos. Quase 20 anos depois os cinemas recebem ''Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal'' e a novela ''Pantanal'' retorna à grade de programação, dessa vez do SBT. O primeiro com recordes de bilheteria (já tendo faturado mais de 500 milhões de dólares em todo o mundo) e a segunda com aumento de audiência do canal no horário da transmissão. Estes são apenas dois exemplos de um fenômeno conhecido como ''vale a pena ver de novo''.
Querer sempre ''mais do mesmo'' é uma característica inerente ao ser humano. Na porta do Multiplex Catuaí, as filas para 'Indiana Jones'', a segunda parte de ''As Crônicas de Nárnia'' - por sua vez uma adaptação dos livros homônimos do irlandês C.S. Lewis, publicados originalmente na década de 1950 -, a versão cinematográfica do seriado de TV ''Sex and the City'' e a adaptação da história em quadrinhos - que também já foi seriado na telinha - ''O Incrível Hulk'', só fazem por confirmar esta teoria.
''Acho que as pessoas buscam aquilo que já conhecem para não se decepcionar. A segurança é maior'', afirma o personal trainer Walassi Aires, que acompanhado da namorada, Soraya Gehra, se prepara para ver ''Sex and the City''. ''Acompanhei alguns episódios da série e quero saber o que acontece com os personagens'', disse. ''Mas pretendo ver Indiana Jones também, o personagem é um ícone do cinema. Muita gente cresceu vendo os filmes anteriores''.
O saudosismo e a paixão pelo personagem também motivaram a estudante Sandra Mara Alves de Souza e o marido, o farmacêutico Luiz Moreira de Souza, a conferir a nova aventura de Indiana Jones. ''Amo o personagem e gosto muito dessa mistura que o filme propõe de fantasia com realidade'', afirma Sandra. ''Mas estou um pouco desconfiada se houve exagero nos efeitos especiais. O ano passado exageraram muito no Duro de Matar 4 e o filme perdeu a graça'', pondera.
Embora fã de Hollywood, Sandra também vê filmes alternativos. ''Tudo pode ser prazeroso, mas para isso é preciso ter a mente aberta'', destaca. E dá uma dica do motivo dos filmes considerados ''cult'' muitas vezes não alcançarem sucesso de bilheteria: ''A maioria das pessoas deixa de ver coisas muito boas porque é bitolada e tem preguiça de pensar''.
A mídia comercial também é a culpada pelo consumo de produtos com sabor de requentado, de acordo com o músico Rafael Solice de Oliveira. Na fila para ver ''Sex and the City'', o baixista da banda ''Primos da Cida'' acha que falta espaço na mídia para o novo e diferente. ''Como músico, já houve um fã que criticou uma mudança que fizemos no som. Mas para mim aquilo foi um elogio, sinal de que estamos despertando nossos ouvintes da mesmice'', apontou. ''Mesmo que o público estranhe no começo, é necessário que o artista incorpore o diferente. Só assim o público cresce como consumidor cultural.''


