Vale a pena assistir
ReproduçãoO filme Bagdad Café é pontuado por um surrealismo meigoQuem ainda não teve a oportunidade de assistir Bagdad Café, produção alemã de 1988, vale a pena conferir. Percy Adlon fez um filme pontuado por um surrealismo meigo, com metáforas e alegorias, mas sem retórica. O resultado é uma bela homenagem ao encanto e à magia do cinema. Bagdad Café, é o nome de um lugarejo perdido no deserto de Mojave, na Califórnia (EUA), que inclui um bar, um posto de gasolina e um hotel, cuja dona é Brenda (C.C.H. Pounder), uma negra ranzinza e amarga.
Sua vida muda completamente quando Jasmim (Marianne Sagebrecht) chega ao local depois de abandonar o marido no meio do deserto. Jasmim, uma alemã da Bavária, vai aos poucos tornando aquele mundo árido e infeliz um lugar habitável em que as pessoas sorriem, se comunicam e até sentem prazer em viver. Ela planta flores no deserto, espanta a poeira dos móveis e tira sua varinha mágica da cartola. Com ela faz truques de salão e a mágica maior de tornar Bagdad Café uma divertida casa de espetáculos. A graça do filme está na mistura surreal de tipos esquisitos que frequentam o lugar - negros, índios, vagabundos, brutos e ternos - figuras típicas do cenário norte-americano.
Percy Adlon dirigiu outros filmes como Estação Doçura e Rosaline vai às Compras, mas Bagdad Café foi seu grande sucesso, ganhando vários prêmios. A belíssima música Calling You, que toca em vários momentos do filme, foi indicada ao Oscar de Melhor Canção. Bem ao estilo dos filmes alemães e de diretores como Wim Wenders e Fassbinder, Percy Adlon mostra personagens marginais e marcados pela vida, mas com uma diferença: são pessoas que levam a vida com muita ternura e bom humor. É um filme imperdível! Duração: 100 minutos.
(C.M.)





