Vale a pena assistir
ReproduçãoRatos e Homens faz jus à obra e ao talento de John SteinbeckGary Sinise é mais conhecido do público como ator por suas atuações em filmes como Forrest Gump e Truman, mas ele também já mostrou que tem muito talento do outro lado da câmera. Seu primeiro trabalho como diretor foi em Gritos de Revolta, um filme pouco conhecido, mas de excelente qualidade. Em 1992, Sinise deu mais uma prova de sua habilidade e competência ao assinar a direção de Ratos e Homens, baseado na obra de John Steinbeck, prêmio Nobel de literatura em 1962.
Ambientado em uma fazenda de cevada na Califórnia, Estados Unidos, nos difíceis anos da Depressão de 1930, o filme é uma pequena obra-prima. Além de presentear o telespectador com duas grandes interpretações: John Malkovich, como Lennie e Gary Sinise, como George, Ratos e Homens tem um roteiro poético e profundo. A fotografia privilegia o brilho do sol nos finais do dia sobre as vastas plantações de cevada, dando um tom amarelo-dourado sobre a fisionomia cansada dos atores. A trilha sonora com música instrumental, marca registrada de Mark Isham, reforça a poesia do filme.
John Malkovich faz o papel de um adulto com cérebro de criança que, devido à sua carência afetiva, mata tudo aquilo que ama. Ele acaricia tanto pessoas e animais que acaba sufocando-os até a morte. Por causa disso, vive colocando seu eterno amigo George (Gary Sinise) em situações difícies. A vida dos dois se torna um fuga constante de fazenda em fazenda. Ratos e Homens conta ainda com a presença sensual da bela Sherilyn Fenn, que trabalhou em Twin Peaks.
O mais surpreendente e chocante em Ratos e Homens é o final. A última cena do filme deixa um gosto amargo na boca, como se tivéssemos levado um soco brutal na boca do estômago. É uma cena inesperada e depressiva, mas que representa um profundo ato de amor. Duração: 111 minutos.
(C.M)





