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Discos
certos nos momentos certos. Eis a explicação de Herbert Vianna para o sucesso dos Paralamas. Show de lançamento do novo CD aconteceu em Curitiba
Ana Clara Garmendia
Arquivo FolhaParalamas do Sucesso: um dos poucos grupos da década de 80 que resistiram à peneirada do público e das gravadorasSorte, muita sorte. Essa é a explicação de Herbert Viana, vocalista dos Paralamas do Sucesso, para tantos anos bem-sucedidos de estrada. Nascidos em Brasília na década de 80, Os Paralamas resistiram aos embalos que colocaram muita gente para fora das paradas de sucesso.
Cantaram ‘‘Alagados’’, denunciaram os picaretas do Congresso, levaram platéias ao delírio com ‘‘Lanterna dos Afogados’’ e emocionaram muita gente com ‘‘Jogos de Amor’’. Herbert encontrou junto aos seus inseparáveis amigos Bi e Barone a fórmula do sucesso. Sem jogos de egos e embalados em uma onda Blues, a banda lança mais um CD, ‘‘Hei Na Na’’.
Neste novo trabalho o grupo busca a fuga do popular, usa metais de uma maneira diferente e experimenta no seu show novas tecnologias de palco. A seguir a entrevista exclusiva que o vocalista Herbert Viana concedeu à Folha2, na noite de estréia do show do grupo em Curitiba, na última quinta-feira.
Sobre o novo CD:#145;‘Não que a gente tenha usado música eletrônica, máquinas tocando. A máquina foi usada para mexer com as coisas que a gente tocava’’
O que tem de diferente no novo disco, o‘‘ Hei Na Naᒒ ?
Herbert Vianna - É um disco com uma safra nova de composições, um produtor diferente, um método diferente de gravação e isso acabou se refletindo na maneira como ele foi feito. Eu estava ouvindo o ‘‘Severino ’’ que eu acho que é o melhor trabalho, no sentido experimental que a gente já fez e acho incrível que aquele disco tenha saído. A gente apanhou muito no processo, a produção era muito devagar. Este disco foi o contrário, foi prazer o tempo inteiro. O cara que produziu é um amigo nosso, o Chico Neves, e ele trabalha com um sistema diferente de gravação, você não utiliza fitas e não precisa tanta gente no estúdio.
Vocês gravaram com mais liberdade?
Herbert Vianna - Mais liberdade, mais tempo para experimentar, mais flexibilidade com o que você gravou. Você pode editar melhor as partes. Não que a gente tenha usado música eletrônica, máquinas tocando. A gente pôde usar máquinas para mexer com as coisas que a gente tocava. Então as possibilidades de edição e inversão são muito grandes.
No ‘‘Hei Na Na’’ vocês usaram menos metais, estão buscando fugir do rock popular?
‘‘Por sorte, não temos guerra de egos entre a gente. Cada um escuta o que outro tem para falar’’Herbert Vianna - Não, eu diria que nós usamos de uma maneira diferente. Porque a gente está tentando fugir de uma coisa pela qual a gente é parcialmente responsável. Que é a popularização de um certo standart de reggae no Brasil. Onde é a musiquinha balançadinha, alegrinha com os sopros fazendo melodia. E isso acabou virando meio que uma fórmula de sucesso e coisa e tal. E a gente tá querendo fugir disso, usando, tentando usar o sopro de uma outra maneira. Ao invés de você usar um sintetizador a gente usa o sopro. Então eles não estão no papel tradicional, onde eles sempre eram usados nas nossas músicas. Talvez daí a diferença.
Por que a idéia de fazer o primeiro show em Curitiba?
Herbert Vianna - Ao contrário do que alguns jornais divulgaram este já é o show e não um tubo de ensaio. Já é o show mesmo. É a primeira vez que a gente vai usar oficialmente o telão, as luzes novas com estruturas móveis. É porque aqui é um bom lugar pra tocar e o nosso equipamento precisa de milhagem. Estamos com uma tecnologia nova e as pessoas precisam se familiarizar com os equipamentos. E a gente sempre estreou ou aqui ou em Porto Alegre. Que são dois lugares que dão um parâmetro muito bom para gente pode ver por onde andam as coisas, se estão indo bem ou não.
E como que é o show, vocês tocam muitas músicas novas?
Herbert Vianna - A gente toca um bocado de coisas novas. Acho que seis músicas. E a gente tenta tocar tudo que a gente presume que as pessoas esperam ouvir. O que estamos evitando é tocar coisas que a gente estava tocando muito há muito tempo, e que a gente não tem vontade de tocar, isso a gente está evitando. Acho que nenhuma das músicas mais queridas vai faltar.
Com a divulgação do ‘‘Hei Na Na’’ sobra tempo para a divulagação do teu disco solo o ‘‘Santorini Blues’’ ?
Herbert Vianna - Tempo sobra. Tempo você arranja para fazer qualquer coisa. É uma questão de direção. Os dois discos solo que eu fiz não têm ambição nenhuma. Eles foram feitos de maneira super despretensiosa e no caso do segundo disco , ele foi gravado e mixado num dia e meio em Los Angeles. E eu nunca tive nenhuma intenção de fazer nenhum show solo, de fazer nada ao vivo, sozinho. Foi uma fita que eu gravei de onda com um cara legal, começou a soar bem, eu começei a gostar. Depois eu ficava ouvindo em casa. Eu gosto de ouvir este disco antes de dormir, numa manhã calma. Porém, pouco a pouco, ele foi crescendo e aí eu conversei com o Bi e o Barone e perguntei se eles se importavam que eu lançasse, porque se eu gostava de escutar havia possibilidade que outras pessoas também gostassem. E acabou que o disco já vendeu 40 mil cópias sem eu ter feito absolutamente nada.
Você é um músico que está sempre pesquisando. O que você está escutando agora?
Herbert Vianna - Eu não pesquiso nada de uma maneira formal não. E nem ouço muita música, eu ouço coisas que me interessam em determinados momentos. Tem muita coisa nova que eu não conheço. Em teoria eu deveria ouvir mais, mas não dá tempo. Na vida prática eu não tenho tempo pra ouvir música. O que eu ouço muito é dirigindo. E ninguém tem tempo para ouvir tudo. Então eu tenho ouvido coisas velhas, clássicas, de blues, principalmente. No show tem alguns momentos bastante influenciados pelo fato de eu estar tocando blues e por eu estar tocando guitarra de novo. Eu fiquei muito tempo trabalhando com computador, só que enchi o saco e comprei uns violões novos para tocar blues. E tem uma molequada boa que tá fazendo blues, garotos de 16, 18 anos dos Estados Unidos. Porque depois que o Steven Ray Vaughan morreu ficou um vácuo e esta molequada está tocando influenciada por ele. Então isso acabou se refletindo no nosso trabalho e tem algumas coisas tradicionais da música brasileira, de reggae e tal que também estão influenciando a gente.
Qual é a fórmula para o Paralamas estar junto há tanto tempo. Vocês já pensaram em separação ?
Herbert Vianna - Não. Eu acho que, primeiro, você tem que ter curiosidade por música. Não pode ficar estagnado numa coisa só. Para você continuar se estimulando e não ficar se repetindo e tal. E a gente, por sorte, se interessa por coisas que são fórmulas de música em evolução. A música africana tá se desenvolvendo, tudo isso vai entrando em contato com a tecnologia. A música brasileira que é inesgotável e por isso eu acho que a gente tem sorte. Em segundo lugar, eu acho que a gente tem sorte mesmo. Sorte pura e simples. Em sair do Brasil nos momentos certos, ter o disco certo na hora certa. Ter gravado o Tim Maia antes de ser moda, ter gravado o Jorge Benjor antes de der moda. Então eu acho que este quesito aí é o lado do imponderável. E em terceiro, eu acho que você tem que ter uma psicologia da convivência em grupo muito desenvolvida. Porque o desgaste da convivência é grande. Porque se você é casado já é uma coisa complicada, ser casado com 25 pessoas que é o que a gente viaja é bastante difícil. Existe potencial para que as pessoas se estranhem. Por sorte, não temos guerra de egos entre a gente. Cada um escuta o que outro tem para falar.
Como vai ser o Paralamas na Copa?
Herbert Vianna - A gente vai tocar em Paris no dia do primeiro jogo do Brasil com o Gilberto Gil. Ele está fazendo uma série de shows lá e nós somos convidados e vamos tocar quatro músicas. Depois a gente tem algumas coisas aqui no Brasil, shows em Londrina e Maringá. Depois a gente volta para a França. Temos um bocado de coisa pela frente.

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