'Vai que Cola' regasta o besteirol
Filme nacional está em segundo lugar no ranking de bilheterias, atrás apenas de 'It - A Coisa2'
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Filme nacional está em segundo lugar no ranking de bilheterias, atrás apenas de 'It - A Coisa2'
Luiz Carlos Merten/ Agência Estado 
São números superlativos - seis temporadas na TV paga, 260 episódios e 3,3 milhões de espectadores quando o primeiro filme da franquia Vai Que Cola foi lançado nos cinemas. Naquele tempo, havia Paulo Gustavo no elenco. Agora, sem Paulo e adotando o formato da "prequel", “Vai Que Cola 2 - O Começo” chegou às salas na semana passada. O diretor César Rodrigues admitia estar com aquele friozinho na barriga. "O Começo" iria repetir o sucesso?
No fim de semana, “Vai Que Cola - o Começo” ficou em segundo nas melhores bilheterias, com 233 mil espectadores. Ficou atrás de “It - A Coisa 2”, com 571 mil (no acumulado, soma 2,169 milhões de espectadores), mas à frente de “Divaldo - O Mensageiro da Paz”, com 104 mil.
Na "prequel", Ferdinando/Marcus Majella deixa cidade interiorana e vai tentar a sorte no Rio. Vai parar no Méier, na casa da Dona Jô, que ainda não é pensão - será, no fim do filme. Feijoada, roda de samba, o tesouro do grande amor de Terezinha, a fogosa Jéssica - e o beijo gay. Disputando o bofe com a garota, Ferdinando aplica aquele beijo em Maicól. No making of, Majella diz que foi preciso repetir a cena várias vezes, "até ficar como o diretor queria".

Há pouco, outro beijo gay virou caso de polícia na Bienal do Livro, no Rio. César reconhece o perigo, mas nega oportunismo. "Começamos o 'Sai de Baixo' num Brasil muito diferente. Não sei se hoje em dia, com esse retrocesso, teríamos feito tanto sucesso. Mas o beijo gay do 'Vai Que Cola - O Começo' não representa nenhum manifesto da gente. Nossa bandeira é o divertimento."
E Rodrigues arrisca uma interpretação. "O que o Vai Que Cola tem de mais bacana é uma ideia de família, mesmo que não seja a de sangue, mas do afeto. Dona Jô é uma mãezona que acolhe todo aquele grupo e no qual todo mundo é aceito. É como a família da gente. Tem o gordo, o primo gay, o crente, a p..., todo mundo é diferente, mas a gente aceita, termina por respeitar. O Brasil todo devia ser essa família. Tem gente que vai achar o beijo gay uma afronta, mas para a evolução da nossa história era importante. Não abrimos mão. A expectativa é de que o público aceite."
Mais "ultrajante", como dizem os norte-americanos, é a cena em que Ferdinando repica Xuxa na recriação do hit "Lua de Cristal", com direito a Sérgio Mallandro como príncipe. É hilário, e o máximo da inclusão. Em outubro, começa a nova temporada do "Vai Que Cola" - e a novidade é que vai todo mundo para Miami.


