O jornalista Aramis Gorniski, que em 1980 escreveu o livro ‘‘Monge - Vida, Milagres, Histórias, Lendas e Orações’’, acredita que a fama de João Maria se espalhou por diversos motivos. ‘‘Ele era um frei italiano que chegou ao Brasil em 1844, passou por várias cidades no Paraná e, estudioso das ervas e meio vidente, as receitava a pessoas do povo, que naquela época não tinham dinheiro para comprar remédios’’, explica. ‘‘Além disso, ele sempre mandava o pessoal rezar, dava conselhos e costumava contar histórias que chamavam a atenção.’’
Segundo o jornalista, juntando ervas e orações, realmente se registraram milagres. ‘‘Acredito que ele até poderia ser beatificado se fosse feito um processo no Vaticano’’, arrisca.
Por onde passou, João Maria deixou seu nome. Gorniski faz um alerta, porém, para o fato de várias histórias que circulam na região da Lapa serem apenas boatos. ‘‘De meados do século passado até o começo deste, os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram percorridos por figuras exóticas que a população do sertão chamava de monges’’, revela.
De acordo com o pesquisador, pelo menos mais dois peregrinos estiveram na Lapa, além de João Maria: o primeiro, em 1891, foi um francês chamado Atanás Markaff e outro, José Maria, que se dizia sucessor de João Maria, foi inicialmente o líder da Guerra do Contestado (1908-1914) – uma revolta de posseiros numa das regiões mais pobres da divisa entre Paraná e Santa Catarina, que teve entre 10 mil e 20 mil mortos.
As romarias à gruta não incomodam a igreja local. ‘‘Nós nunca nos posicionamos ou fazemos barulho contra’’, garante o padre da Paróquia de Santo Antônio da Lapa, Aurélio Falarz. O religioso diz achar difícil que João Maria tenha feito algum milagre, mas acredita que a fé dos romeiros pode mesmo terminar em graças. ‘‘O próprio Evangelho diz que, quando Jesus fazia curas, costumava dizer: ‘vai, que tua fé te salvou’.’’ (L.G./AE)

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