As férias da garotada vão ficar ainda mais animadas e assustadoras. Acaba de chegar às locadoras a superprodução americana ‘‘Godzilla’’. O filme é uma versão atualizada do monstro criado há 44 anos pelos estúdios japoneses da Toho que, ao longo dos anos, foi transformado em astro de 22 filmes. A cada visita a Tóquio, o lagartão provocava uma onda de destruição pior do que a atual crise econômica que assola o Japão.
Mas nenhum desses 22 filmes japoneses pode ser comparado à versão hollywoodiana: no lugar de um homem fantasiado de monstro, entram em cena os melhores efeitos especiais que um orçamento milionário pode proporcionar. O resultado visual é capaz de dar um banho até em outras produções americanas como ‘‘Jurassic Park’ e ‘‘Anaconda’’. Este novo Godzilla se movimenta pelas ruas de Nova York com a desenvoltura de uma lagartixa, destruindo prédios, carros e, sem querer, esmagando milhares de pessoas.
Assim como o monstro japonês, o Godzilla ianque é um animal urbano e chic. Escolhe a Madison Square Garden para fazer seu ninho e chocar um monte de babyzillas. Mas, enquanto isso, aproveita o tempo para dar umas voltinhas pela Quinta Avenida, Wall Street e Times Square, deixando pelo caminho um rastro de destruição maior do que o provocado pelo asteróide gigante que cai sobre a Big Apple em ‘‘Impacto Profundo’’.
É difícil de acreditar, mas os americanos conseguiram transformar o lagartão em um hermafrodita que fica grávido e escolher Nova York para se tornar ‘‘mamãe’’. O mais hilário é quando o cientista Nick Tatopoulos (Matthew Broderick), recolhe uma amostra de sangue do monstro e, acredite, vai até uma farmácia da esquina, compra um teste de gravidez para comprovar sua tese. Absurdos à parte, o filme, dirigido por Roland Emmerich e produzido por Dean Devlin, responsáveis por outro grande sucesso ‘‘Independence Day’’, tem uma bela fotografia e garante muita diversão. Obrigado a filmar à noite para não provocar um caos nas ruas de Manhattan, o diretor imprimiu um visual escuro e claustrofóbico ao filme. Além disso, acrescentou uma chuva constante que serve para dar mais realismo e tensão à produção.
Os sets de filmagem eram montados às 8 da noite e desmontados às 6 da manhã. Só depois de terminadas as filmagens é que o monstro foi inserido na película. ‘‘Godzilla’’ é, sem dúvida, a criatura mais virtual já criada pelo cinema. Devido a isso, muitos atores não sabiam o que estavam fazendo e contra o que estavam lutando e, às vezes, acabavam atirando para o lado errado. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 139 minutos.

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