Um dos mais respeitados pesquisadores da Aids no Brasil, o professor David Uip, diretor da Casa da Aids, em São Paulo, tem algumas certezas: o controle da doença está no método biológico por meio de vacina, ainda distante; haverá nos próximos anos conhecimento mais seguro sobre os mecanismos de replicação do vírus; a sobrevida dos pacientes será alongada graças a novas drogas combinadas. Até chegar ao estágio de uso geral, a vacina demora porque precisa ser testada em populações grandes e em muitas etapas. Quanto à sobrevida, afirma Uip, ‘‘atualmente 90% dos doentes começam a ter sintomas de seis a dez anos depois da infecção pelo HIV e se o paciente se cuidar pode viver pelo menos mais dez anos’’. Embora ninguém possa falar em cura já no início do próximo século, poderá haver controle da doença e a expectativa do diretor da Casa da Aids é que o paciente possa viver no mínimo 20 anos depois das primeiras manifestações. ‘‘Vamos descobrir também por que algumas pessoas, mesmo expostas, não se contaminam e por que pessoas já contaminadas não desenvolvem a doença’’.
O grande drama do final de século em relação a essa doença é o crescimento do número de mulheres contaminadas e, consequentemente, de crianças soropositivas. Aqui quem dá números bem concretos é o professor Evandro Baldacci. ‘‘No Instituto da Criança temos por volta de 200 com Aids; no Hospital Emílio Ribas o número é bem maior, por volta de 600 crianças’’. Baldacci informa que a maioria das crianças sofreu contágio vertical (da mãe para o filho), tendo caído substancialmente o número de contágios por transfusão de sangue ou hemoderivados.
Segundo as últimas estatísticas, o Brasil já ultrapassou a barreira dos 100 mil casos de Aids, mas esse número deve ser multiplicado por dez quando se estima o total de pessoas que contraíram o vírus. Segundo previsão da OMS (Organização Mundial de Saúde), no início do século 21 haverá no mundo em torno de 40 milhões de pessoas infectadas. Esses são cálculos moderados, porque há quem estime esse número em até 120 milhões.
Embora acreditem que o Brasil nunca consiga alguma descoberta pioneira no setor, por ser deficiente em sua pesquisa básica, os pesquisadores acham que o País está ajudando bastante na procura de novos medicamentos e certamente fará importantes pesquisas clínicas. Anima-os a disposição dos governos federal e estadual de entrar com maiores recursos, responsabilizando-se pelos medicamentos.

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