São Paulo, 24 (AE) - Frequentadores do Museu de Arte de São Paulo (Masp) reclamam da utilização do vão livre do museu como estacionamento de carros. O Museu de Arte de São Paulo, tombado pelo patrimônio histórico, não pode sofrer esse tipo de modificação de uso. Outra agravante é que, na cláusula da doação do terreno, os herdeiros de Joaquim Eugênio de Lima (antigo proprietário) exigiam que fosse mantida a vista do vale - o que motivou o projeto da arquiteta Lina Bo Bardi para o gigantesco vão livre.
O presidente do Masp, o arquiteto Júlio Neves, explicou que o uso do piso sob o vão livre na segunda-feira foi "provisório" e que apenas um carro da Polícia Militar - que faz a ronda no local - está autorizado a parar ali. Neves disse que os transtornos causados pelas obras no Masp fizeram com que algumas soluções "quebra-galhos" fossem adotadas, mas que isso não é regra.
"O pessoal age como se o Masp fosse acabar amanhã, mas vai estar lá daqui a 500 anos e é preciso fazer as obras de revitalização do prédio", disse o arquiteto. Também por causa das reformas no museu foi instalado um tapume na praça sob o vão.
"Se os carros estão ali por causa da obra, para levar um engenheiro ou material, não há problema", diz o presidente da Associação Paulista Viva, Alex Cerqueira Leite Thiele. "Mas usar o vão livre para estacionamento de outra natureza não pode, não tem sentido". A associação cuida para que também não ocorram manifestações públicas na área (shows ou protestos), já que teme pela estrutura do museu.
Há cinco anos, o escritório Figueiredo Ferraz - o mesmo responsável pela construção do museu - desaconselhou o acúmulo de peso no local, porque a estrutura sofre exaustão. O motivo foi um show da cantora Daniela Mercury, em 1992, que reuniu 20 mil pessoas no local.
A direção do Masp informou também que já está resolvendo o problema de vagas para os frequentadores do museu. Acaba de firmar convênio com o estacionamento ao lado do Hotel Sheraton, que tem 600 vagas e manterá um serviço de transporte até o museu.

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