A Usina das Artes, que leva à cena ‘‘O que o Mordomo Viu’’, é uma companhia que surgiu há um ano e meio, sabendo que caminho trilhar. ‘‘Nasceu em 97 como idéia, mas começou a se efetivar em 98’’, explica Marcelo Marchioro. Ele e a atriz Sandra Zugman são os pais da empreitada que nasceu ‘‘para satisfazer nossa vontade de poder se desvincular um pouco de produções oficiais, e outros tipos de produções, onde a gente não pudesse dizer exatamente o que queria, dentro de uma filosofia, de uma proposta mais concreta’’.
Outro ponto de honra para a Usina dizia respeito ao repertório ‘‘com tudo que ele pudesse significar’’. Ou seja, não só escolher uma temática, como produzir um amplo leque de atividades paralelas, ‘‘que nutrissem essa peça em termos de público, termos profissionais, ligados ao teatro’’ etc. Ou seja, palestras, cursos, ciclos de vídeos, exposições sempre ligados aos autores das montagens.
Esse mergulho no estudo mais profundo a cada texto, naturalmente só seria possível com a formação de um núcleo, que é o que está acontecendo agora. Sem condições para colocar em prática o que desejava, a Usina associou-se ao Grupo Resistência para apresentar ‘‘O Tempo e o Lugar’’, de Botho Strauss.
Depois, já com elenco próprio montou ‘‘A Excessão e a Regra’’, de Brecht, numa co-produção com a Fundação Cultural de Curitiba. No final de 98 produziu ‘‘O Ventre do Minotauro’’, com textos de Dalton Trevisan.
A escolha não foi aleatória, pelo contrário: ‘‘Botho Strauss era uma linguagem não realista e contemporânea; Brecht era uma leitura de hoje e ‘Minotauro’ tem vários estilos. Essa é outra de nossas propostas - a de se ter peças que atendam a vários tipos de público, que proporcionem ao elenco pesquisas e interpretações diferentes’’, comenta o diretor.
Um ano e meio depois, a companhia tem na diretoria mais três integrantes: Silvia Monteiro, Léa Albuquerque e Laercio Perle. O grupo é coeso, e entre outros objetivos está o de refletir estes tempos de mudanças. As produções, sejam elas quais forem, devem conduzir ao pensamento do homem no final do século.
‘‘Sempre nas nossas peças, o homem está em situações limítrofes, na iminência de uma virada, não uma virada cronológica, mas de pensamento, de situação psicológica, emocional e social. É um olhar sobre este tempo, o fim do milênio’’, encerra.

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