O primeiro passo para resolver problemas técnicos e operacionais da Rádio Universidade FM, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi dado na última segunda-feira, durante a assembléia extraordinária em que foi aprovada a criação da Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio Universidade (Camtar). Concebida como uma sociedade civil sem fins lucrativos, a Camtar deverá possibilitar o repasse de recursos obtidos junto a colaboradores e apoiadores (pessoas jurídicas) diretamente à rádio, sem a necessidade de submeterem-se à burocracia da universidade.
Um dos ''pontos de honra'' da associação é conseguir resolver o problema de recepção de sinal no centro da cidade. Embora tenha ouvintes em vários municípios da região, os sinais da Universidade FM (107,9 MHz) não chegam aos aparelhos de rádio localizados no miolo central. O problema é o campeão de reclamações entre os ouvintes. ''Pretendemos buscar orientação técnica junto à Rádio Educativa do Paraná'', informa o escritor Domingos Pellegrini, eleito presidente da Camtar. Segundo Pellegrini, uma nova antena e o reaparelhamento técnico da rádio devem custar em torno de R$ 200 mil.
Também está nos planos da diretoria uma parceria com a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) para a obtenção de patrocínios junto à comunidade empresarial. ''Os empresários sabem que o público da Rádio Universidade é composto por formadores de opinião, e que ela dá aval ético para qualquer campanha desenvolvida na cidade'', argumenta o presidente, que é um dos participantes do projeto Minuto do Poeta, onde lê poesias de diversos autores brasileiros dentro da programação da rádio.
A diretoria da Camtar é formada por profissionais de diversas áreas, dispostos a trabalhar voluntariamente pela Universidade FM. ''Queremos ser um apoio para resolver problemas que hoje a direção da rádio, sozinha, não tem condições de resolver pelo acúmulo de trabalho'', diz Pellegrini, comparando a Camtar à Associação de Amigos do Museu Histórico de Londrina.
A diretora da rádio, Janete El Haouli, afirma que, diante da falta de recursos enfrentada pela UEL, tinha duas opções: ficar lamentando ou agir. ''Resolvemos agir, e a idéia da Camtar nasceu da necessidade de recebermos apoio externo.'' Segundo Janete, entre os objetivos da associação ainda está a compra de equipamentos mais modernos hoje os computadores da rádio estão obsoletos e a construção de um novo prédio para a rádio. ''Estamos há quase 13 anos funcionando de maneira provisória em salas de aula adaptadas'', diz a diretora.
Enquanto os recursos para que o projeto seja colocado em prática não vêm, funcionários e jornalistas da Universidade FM poderão, pelo menos, transitar com um pouco mais de folga pelos corredores da rádio a partir do ano que vem. No dia 13 de janeiro começa uma reforma que deverá ampliar de 100 para 188 metros quadrados o espaço disponível, através de uma parceria com a construtora Plaenge. ''Mas continuará sendo um espaço provisório'', lembra Janete, que sonha com uma estrutura que conte com auditório, teatro multimídia e vários estúdios. ''A UEL e Londrina merecem ter este espaço.''

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