UNIVERSIDADE FM EM NOVA SINTONIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br>De Londrina 
Novos tempos na Universidade FM, a emissora de rádio da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Após a crise política que abalou a instituição, culminando com o afastamento do reitor e vice-reitor, alguns órgãos internos passaram por mudanças. A Universidade FM (107,9 MHZ), que era dirigida por Cléber Tóffoli, passa a ser conduzida agora pela musicista e professora Janete El Haouli, colaboradora da rádio desde 25 de novembro de 1991. Ela produz o programa ''Música Nova'', exibido sempre às segunda-feiras, das 21 às 22 horas.
Janete assume uma rádio estruturalmente limitada, com problemas nas mais variadas áreas. Criada em 2 de junho de 1990, a Universidade FM conta com um acervo aproximado de 7.500 discos e CDs, 7 computadores, 24 funcionários (4 locutores, 3 jornalistas, 2 produtores, 3 programadores, 5 operadores de estúdio, 2 técnicos de áudio, 1 diretor geral, 1 diretor de programação e 3 ténicos administrativos), e previsão orçamentária reduzida - R$ 25 mil anuais para material de expediente e R$ 25,8 mil anuais para serviços terceirizados. Verba para equipamentos? Nada. Veículo para o departamento de jornalismo? Também não. Ampliação do espaço físico da rádio? Reivindicação antiga, mas sem previsões... Isto porque o governo estadual repassa anualmente cerca de R$ 115 milhões para a instituição.
Mesmo com esses problemas a Universidade FM atinge um público amplo, desde os ouvintes do programa de música caipira ''Voz e Viola'', até os amantes de uma boa ópera. Após a instalação do transmissor com potência de 10KW, há cerca de um ano, a rádio passou a atingir um público no raio de 150 km, abrangendo municípios como Ibaiti, Astorga, São Jerônimo da Serra, Marialva, Cornélio Procópio, Marilândia do Sul, Jacarezinho, Colorado, Apucarana, Palmital, incluindo também cidades do interior de SP, como Iepê e Assis.
Mas e agora, com Janete conduzindo a rádio, o que muda em sua programação? ''A MPB é apenas uma faceta dentro da música brasileira e pretendo ampliar esse espectro. Não vamos deixar de apresentar MPB, mas não basta apresentar a música ao ouvinte, como se fosse um grande vitrolão. Por que não estimularmos o público a pensar com a música?'', indaga a professora que coordena um grupo de estudos sobre rádio e já conheceu de perto a estrutura de algumas rádios européias, como a RAI (italiana), a France e a Deustche (Berlim).
Para repensar a programação da rádio, Janete espera sugestões da comunidade, desde ouvintes, professores, funcionários e alunos da UEL. ''Uma vez um zelador aqui da UEL me procurou e pediu para eu copiar um disco com músicas africanas. Então temos ouvintes que gostam de músicas étnicas, por que não investir nisso?''. Ela também sugere experiências recentes como as ''features'', um modelo de reportagem que mistura abordagem documental com ficção. Ou seja, uma investigação da realidade com técnicas e recursos próprios do discurso artístico. ''As matérias geralmente se apóiam na palavra para transmitir um fato. Por que não usarmos o som? Ontem (terça), quando vi as cenas de terror nos EUA, fiquei arrepiada com uma pessoa que repetia ''my god'' várias vezes. Essa voz às vezes diz mais sobre o fato.''
Outras mudanças também devem surgir, como uma integração mais intensa com as rádios comunitárias de Londrina e região, ampliação da programação jornalística, aberturas a novos projetos e colaboradores, e revisão de algumas propostas que estavam engavetadas. A rádio mudará de lugar? Será uma das reivindicações de Janete, que já vislumbra até a construção de um auditório, daqueles que existiam antigamente quando o rádio era o pricipal meio de contato com a realidade.


