Unidos contra a dengue
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segunda-feira, 02 de junho de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Se engana quem pensa que criança não sabe opinar sobre os mais diversos assuntos com senso crítico e sabedoria. Quem prova isso são os alunos da 3 e 4 séries do Caic Dolly Jess Torresin, do União da Vitória, que na semana passada participaram de um debate sobre a dengue. O tema foi trabalhado durante os dois primeiros semestres na escola e as crianças já estão sabendo, na ponta da língua, que os principais sintomas da doença são febre alta, vômito, dores de cabeça, nas juntas e manchas vermelhas pelo corpo.
Em Londrina, no último levantamento, foram 10.808 casos notificados, sendo 3.782 confirmados de dengue. Também ocorreram três casos de dengue hemorrágica, um deles chegou a óbito. A dengue hemorrágica pode se manifestar por um período de três meses a cinco anos depois da primeira infecção. No entanto, a dengue hemorrágica também pode ocorrer em pessoas que nunca tiveram dengue.
Com desenvoltura, as crianças demonstram segurança ao falar do assunto. Mesmo se tratando de uma doença, eles sabem opinar e têm consciência da parcela individual de responsabilidade no seu controle e prevenção.
A aluna Micaele Emanuela A. Silva, 10 anos, lembra do dia em que a sua mãe foi ao hospital para verificar se estava com dengue, o que não se confirmou, e ficou sabendo de uma pessoa que havia morrido de dengue naquele dia. ''A minha mãe chegou bastante assustada e contou que a pessoa que morreu entrou às 7 horas e, às 16 horas, já tinha morrido'', relatou. Na sua casa, Micaele disse que todos os cuidados são tomados para evitar a doença. ''As garrafas ficam de cabeça para baixo, os vasos têm areia...'' E reforça: ''A dengue é uma doença grave e tem gente que pensa que é brincadeira!''
O seu colega de turma, Everton Gusmão, 11 anos, falou de um outro fator importante para o controle da doença, que é a coleta de lixo. ''Onde eu moro (no Conjunto Nova Esperança), esses dias atrás, o caminhão ficou duas semanas sem passar, o que fez com que os cachorros revirassem os sacos de lixo'', disse Everton. Com o lixo, ele acredita que fica muito mais difícil controlar o problema. ''Cada um tem que limpar o seu quintal, mas o caminhão não pode atrasar'', reivindicou.
''Preto e branco, e um pouco grande'' foi a definição do mosquito da dengue feita pela aluna Graciele dos Santos Silva, 9 anos. Bem informada, ela descreveu o mosquito Aedes aegypti que encontrou em um terreno vizinho abandonado. ''Estava tudo muito sujo e eu joguei areia em cima dele'', destacou. Pegando carona no depoimento da amiga, Micaeli lembrou que é importante a participação de todos. ''Não adianta só um cuidar. A minha vizinha da frente costumava deixar as garrafas com a boca para cima e eu pedi para minha mãe falar com ela'', reforçou.
Elas também pontuaram algumas críticas. Para Everton, a Prefeitura não deveria multar os moradores que não limpam o quintal e, sim, dar mais apoio para que a limpeza fosse feita. Brenda Layara dos Santos Pereira, 9 anos, que mora no União da Vitória, disse que já ouviu muitos comentários de que faltam remédios no posto de saúde do seu bairro. ''Isso realmente não pode acontecer'', afirmou.
Cientes do seu papel, as crianças confirmam a sua contribuição para conscientizar os pais. ''Os pais aprendem muito mais com as crianças. É importante a gente vir para a escola, porque assim a gente consegue explicar melhor as coisas'', falou Brenda.


