Única fábrica de vinil da AL fica no Rio
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sábado, 17 de abril de 2010
Alexandre Matias<br> Agência Estado 
Uma massa mole e preta sai quente de uma máquina chamada extrusora. Moldada numa pequena bola que cabe na palma da mão, ela é disposta sobre um dos rótulos de papel do futuro disco - o outro é aplicado por cima, formando uma espécie de sanduíche de massa de pó de PVC e papel, que é colocado numa enorme prensa hidráulica. A máquina faz todo o trabalho em poucos segundos: espreme o bolinho engraçado entre duas chapas horizontais que, ao se afastarem uma da outra, revelam um disco de vinil recém-prensado.
Essa operação simples e quase artesanal é a etapa final de um processo que chega ao fim após quase um ano. ''A gente achava que em um mês dava para colocar isso para funcionar. Mas já estamos há oito meses nisso, sempre fazendo testes para ficar direito'', explica João Augusto, dono da gravadora Deckdisc e agora proprietário da Polysom, a única fábrica de discos de vinil da América Latina. A fábrica fica em Belford Roxo, região metropolitana do Rio de Janeiro.
Só nos Estados Unidos, no ano passado, foram vendidos 2,5 milhões de vinis. ''E 47% desses compradores não têm toca-discos em casa'', destaca Augusto. ''As pessoas compram pelo fetiche.'' As megastores brasileiras não demoraram a perceber isso, tanto que algumas já exibem prateleiras com vinis recém-fabricados - todos importados. ''Mas a maioria das lojas não tem espaço para receber os discos'', conta. Ele traduz esse novo interesse pelo vinil ao contar como a cantora Pitty reagiu ao ver seu disco na versão vinil. Ela teria dito: ''Agora, sim, somos uma banda de rock''.
Além de Pitty, a primeira leva inclui o disco solo da vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai, e os mais recentes dos grupos Cachorro Grande e Nação Zumbi. Se ainda é cedo para saber se o velho LP volta para valer, ao menos podemos comemorar que a única fábrica de vinil da América Latina fica no Brasil - e funcionando.


