União Latina lança livro e vídeo que registram a mostra do barroco realizada em Paris
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quarta-feira, 09 de fevereiro de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 09 (AE) - A exposição "Brasil Barroco - Entre o Céu e a Terra", que ficou de novembro até a semana passada no Petit Palais, em Paris, rende frutos também aqui. A União Latina
que promoveu a mostra, lança amanhã (10), no Paço da Cidade, no Rio, catálogo com reprodução das 350 obras levadas à França e 16 textos sobre a primeira arte que floresceu no Brasil, no fim do século 18 e início do 19. O livro foi lançado em Paris (vendeu 4 mil exemplares) e terá uma versão com os textos traduzidos para o português.
"É uma obra de referência sobre o barroco brasileiro e por isso não podia ficar sem uma tradução em português", explicou o secretário-geral da União Latina, o embaixador Geraldo Cavalcanti. "É o resultado de um levantamento de mais de dois anos e uma análise histórica desse período da arte nacional". A exposição é a maior já realizada pela União Latina e também a que mais peças do barroco brasileiro reuniu.
Segundo Cavalcanti, o que se produziu em Minas, Bahia e no Rio é bem conhecido aqui e um pouco no exterior, mas quase nada se sabe do barroco do Norte do País, especialmente de Belém do Pará, e do Sul, onde os jesuítas estabeleceram as missões, depois destruídas. "O grande trunfo dessa mostra foi juntar tudo e dar-lhe um contexto", diz o embaixador. "E também teve uma ótima repercussão nos meios de comunicação franceses, pois durante quatro meses se falou muito e positivamente do Brasil". Cidades - A obra publicada é ambiciosa, a começar pelo tamanho. São dois volumes (cerca de sete quilos), com reproduções de todas as obras expostas e fotografias dos lugares onde estão permanentemente. "O barroco não se desliga do ambiente onde é produzido e, por isso, precisávamos mostrar como são as cidades em que estão as obras", explica a diretora cultural da União Latina, Elisabeth de Balanda, também editora do catálogo, com Armando Uribe. "Na exposição em Paris, tínhamos, logo na entrada, painéis imensos com fotos das igrejas e cidades barrocas".
A mostra não se repetirá no Brasil. Cavalcanti explica que a função da União Latina é promover o intercâmbio entre os países que têm essa origem e não caberia a ela mostrar, aos brasileiros, a arte produzida aqui. "Além disso, é uma tarefa complicada, pois envolve o transporte de centenas de obras, licenças de seus guardiães ou proprietários e um custo que, só em Paris, chegou a US$ 2,3 milhões (pouco mais de R$ 4 milhões), bancados por patrocinadores públicos e privados", completou Martha Vianna, da União Latina.
Para compensar os brasileiros que não verão a mostra, foi produzido um vídeo de 35 minutos, com direção de Elisabeth de Balanda e Armando Uribe, visitando o espaço em que ela foi disposta. Segundo Uribe, para dar uma idéia aos franceses do estilo, o arquiteto italiano Massimo Quendolo, responsável pela programação visual, criou estruturas circulares em que o visitante era envolvidos pelas obras, como numa igreja barroca. "Tentamos reproduzir esse clima no vídeo, sem contudo mostrar todas as 350 obras, o que seria impossível", conta Elisabeth. "Fizemos imagens detalhadas de duas ou três obras em cada setor e damos um painel de tudo que os franceses viram". Impacto - O melhor resumo da exposição "Brasil Barroco - Entre o Céu e a Terra" é mesmo o livro, que tem fotos do italiano Ferrante Ferranti. Ele passou os dois primeiros meses de 1999 em viagem pelo País registrando as obras. Por uma questão de facilidade de transporte e também para causar maior impacto, os curadores da mostra - ¶ngelo Oswaldo, da parte do Brasil, Gilles Cazal, representando a prefeitura de Paris, que administra o Petit Palais, e Edouard Pomier, da União Latina, preferiram selecionar esculturas cedidas por 52 instituições e colecionadores particulares.
O maior lote de obras pertence a Beatriz Pimenta Camargo
de São Paulo, que cedeu 80, entre elas 35 gravuras, um suporte pouco comum no barroco brasileiro, em que as esculturas, os afrescos e a própria arquitetura são os mais constantes. Na exposição de Paris, as obras foram agrupadas pela região de origem, mas no catálogo elas aparecem por tema. "O público lotou o Petit Palais todos os dias, mas as preferidas eram as Nossas Senhoras, a Maria Madalena, de autor desconhecido, que pertence ao Museu de Arte Sacra de São Paulo, e toda a obra de Aleijadinho", lembra Elisabeth.
O livro terá também lançamento em São Paulo, com data e local ainda não previstos, e estará nas livrarias por R$ 230,00, acompanhado pelo vídeo da exposição. Prêmio científico - Este ano, a União Latina vai instituir mais um prêmio, ao lado do Guimarães Rosa (de conto e romance em língua latina). Ainda sem nome, será dado à melhor tradução de trabalhos científicos e tecnológicos para a língua portuguesa. Como nos demais, um escritor brasileiro fará parte do júri.


