UNIÃO FAZ A FORÇA - Alunos e pais juntos contra a dengue
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segunda-feira, 02 de junho de 2008
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Quando nos relacionamos afetivamente com o espaço público a tendência é preservá-lo e lutarmos para que ele seja bem-cuidado. E quando esse espaço é a escola onde estudamos, esse cuidado se torna ainda mais importante. Dentro dessa perspectiva, a Secretaria Municipal de Educação de Ibiporã lançou recentemente o programa ''Portas Abertas'' que visa incluir a participação dos pais e da comunidade em geral na rotina escolar. Cada escola tem liberdade para desenvolver o seu próprio projeto desde que siga essa linha de trabalho. No final do primeiro semestre, uma equipe da Secretaria irá avaliar todas as iniciativas. A mais bem-sucedida será contemplada com um equipamento de data show. Estão envolvidas no projeto escolas do ensino fundamental e infantil.
Na Escola Municipal Professora Ivanildes Gonçalves Nalim, no Jardim Santa Paula, o programa da prefeitura motivou a organização de um projeto amplo de combate à dengue. Há mais de um mês alunos e pais estão juntos nessa batalha, que já incluiu passeios nos arredores da escola para a verificação dos quintais e terrenos baldios e elaboração de cartazes sobre os cuidados preventivos. Atualmente os alunos de 1 à 4 série estão se dedicando à confecção de uma criativa armadilha para capturar o mosquito transmissor da dengue - o Aedes aegypti - feita basicamente de garrafa PET e microtule, que pode ser um pedacinho de meia de nylon (veja esquema explicativo para a sua construção).
A engenhoca, batizada de mosquitoeira, já foi patenteada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma matéria publicada na FOLHA sobre o assunto, no dia 19 de março, motivou a coordenação da escola a levar essa idéia para a sala de aula. ''Seguimos passo-a-passo a forma de construir a armadilha e nossos alunos irão ficar duas semanas com a mosquitoeira em casa. Depois desse período, trarão o equipamento para escola. Se constatarmos que há presença de larvas do mosquito, acionaremos a vigilância sanitária para que ela possa atuar na região onde o aluno mora'', explicou a coordenadora pedagógica, Maria Luiza Zaparoli de Oliveira.
Segundo a diretora da escola, Fátima Martini Medri, os alunos estão bem empolgados com o projeto, que é realizado todas as terças-feiras, tanto na parte da manhã quanto à tarde. E a participação dos pais vem aumentando. ''A gente sente que os pais gostam de estar na sala de aula junto com os filhos. Passam uma sensação de orgulho e eles estão se esforçando para vir, já que a maioria trabalha'', comentou Fátima.
A diretora também afirmou que era antiga a vontade de incluir a participação dos pais na escola, mas que isso parecia algo extremamente difícil. ''O Portas Abertas acabou nos motivando e vimos que é mais fácil do que pensávamos.''
Nem mesmo os cuidados com o filho Miguel, de 1 ano, impediram a dona-de-casa Diana Aparecida de Souza Santos de participar do projeto junto com o filho Mateus dos Santos, 9 anos, que estava com a mosquitoeira quase pronta. ''Achei essa idéia ótima. Além de ter mais conhecimento, aprendo junto com ele. Nós, pai e mãe, temos que achar tempo para ficar mais com os filhos'', destacou. Diana também disse que costuma recolher lixo de terrenos vazios próximos à sua casa junto com o filho mais velho. ''O nosso quintal está sempre limpo, mas temos que fazer isso por cuidado com a nossa saúde e a de nossos filhos.''
Outro bom exemplo é o da dona-de-casa Adriana Rezende Veronez, que deixou um pouco de lado os afazeres domésticos para participar com a filha que estuda no pré da atividade da construção de caixas de papelão para a coleta seletiva. Adriana estudou até a sétima série, antes de se casar. Além da filha caçula, tem uma filha na quinta série, que também depende da sua ajuda para fazer as tarefas escolares.
''O projeto incentiva os pais a estar mais tempo com os filhos e dá a oportunidade de vermos como os professores estão ensinando nossos filhos. Ajudei na confecção dos cartazes e das caixas. Dá até vontade de voltar a estudar'', afirmou. Com relação ao combate à dengue, contou que a filha mais nova está fiscalizando mais: ''Em casa nós já fazemos separação do lixo, mas ela fica falando que não podemos deixar água parada nas vasilhas e já aprendeu que não devemos jogar nem um papel de bala no chão'', acrescentou.
E na pracinha em frente à escola, a turminha do pré se divertiu durante a aula sobre a coleta seletiva. Sob a orientação da professora Evelyne Buzignani, os pequenos se admiraram ao descobrir que uma simples tampinha de garrafa pode ser um criadouro poderoso para a proliferação do mosquito da dengue. Com diversos objetos recicláveis espalhados pelo chão, as crianças foram rápidas na hora em que a professora as liberou para colocarem os objetos nas caixas coletoras confeccionadas por elas com a ajuda dos pais. Mais do que uma aula diferente, um jeito de se apropriar da responsabilidade de cuidar do meio ambiente.


