Ao entrar pelo portão da Escola Estadual Célia Moraes de Oliveira, no Parque Waldemar Hauer (Zona Leste), a surpresa toma conta dos olhos que se deparam com pátios e salas extremamente bem cuidados, limpos e reformados. O ''milagre'' é possível porque há dois anos a escola trabalha em parceria com a Associação de Pais e Mestres (APM) para arrecadar fundos e realizar as melhorias necessárias. Rifas, promoções, festas e uma mensalidade voluntária de R$ 2,00 são suficientes para erguer paredes, coberturas e comprar novos equipamentos.
A diretora, Ana Felícia Bittencourt, enumera várias benfeitorias: aquisição de ventiladores para as salas, que antes eram pouco arejadas; construção de cobertura em dois pátios; construção de uma nova sala para o atendimento dos alunos e outra dedicada à leitura e realização de trabalhos escolares. Do Governo do Paraná, o colégio recebe cerca de R$ 1 mil por mês para todos os gastos com materiais, incluindo tintas para impressoras, papel higiênico e objetos didáticos. ''Temos 800 alunos e esse dinheiro dá pouco mais de R$ 1 por aluno, é praticamente impossível manter a escola com essa verba'', contabiliza Ana Felícia.
Mas o impossível se tornou realidade com a colaboração de todos. ''Quando assumi, quis fazer uma coisa diferente porque essa é uma escola pequena e a comunidade não é tão carente'', enfatiza a diretora. Ela recorda que antes havia uma máquina de xerox simples na escola. Hoje, eles possuem uma máquina com o dobro da capacidade de cópias e digital. Equipamentos menores, como para encardenar e plastificar papéis, também foram adquiridos. As salas de aula tinham pouquíssimos ventiladores e todos eram ligados a um mesmo interruptor. Hoje, cada sala tem quatro ventiladores com interruptores próprios.
Quando chovia, os alunos precisavam se espremer na hora do recreio porque não tinha espaços cobertos. Para resolver o problema, duas áreas foram cobertas facilitando o acesso e aumentando o espaço para as brincadeiras. ''Ainda não conseguimos cobrir a quadra de esportes porque é muito caro, mas quem sabe'', diz Ana. E as obras não param por aí. O atendimento aos alunos antes era feito na sala de vídeo. ''A gente tinha que dividir o espaço. Ou se atendia os alunos ou os professores davam aulas usando o vídeo'', comenta Ana. A solução veio com a construção de uma sala reservada só para o atendimento escolar.
O estudante Gabriel Ângelo Rigo, 10 anos, lembra bem da escola antes das reformas. ''Não tinha cobertura, nem os lixinhos no pátio. Tinha que ficar todo mundo no cantinho quando chovia'', observa. Gabriel também destaca que hoje a quadra está iluminada e os ventiladores deixaram as salas mais agradáveis.
Mara Davanso, 33 anos, tem dois filhos na escola, Mariana, 10 anos, e Gustavo, 8 anos, e participa da APM. ''A escola melhorou bastante'', resume. Ela se diz satisfeita com a administração e ensina que não é difícil colaborar. ''Contribuir é fácil, mas a direção tem que mostrar o que está fazendo com o dinheiro'', ressalva. Mas, no caso do Célia Moraes de Oliveira, o trabalho é perceptível. ''Quando venho buscar meus filhos, ouço outros pais comentando como a escola está bem cuidada'', afirma Mara.
Orgulhosa, ela acrescenta que ''é difícil entrar em uma escola estadual e encontrar um espaço como o colégio nosso. Dá até gosto entrar lá porque é tudo limpinho''. Ela comenta ainda que em anos anteriores havia várias vidraças quebras e trincadas e que tudo foi trocado. ''Hoje os pais são responsáveis. Na reunião, a Ana fala que se algum aluno quebrar um vidro, os pais terão que pagar. Com isso, faz tempo que não quebram as vidraças'', completa. E para finalizar a organização, tanto funcionários como alunos usam uniformes.

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