DivulgaçãoRoseli, Daísa, Flor e Marcia: ‘‘Vamos mostrar que temos força’’As quatro grandes damas da dança maringaense, depois de anos de rivalidade, decidiram se unir. As bailarinas (por ordem alfabética) Daísa Poltronieri, Flor Duarte, Marcia Angeli e Roseli El Ghezz, responsáveis pelas principais escolas de dança e também por importantes eventos culturais e artísticos de Maringá, acabam de se associar. Estão criando a Associação de Escolas Particulares de Dança de Maringá, a Aepaed, ainda sem sede própria, mas com o estatuto em fase final de criação e dezenas de projetos engatilhados.
As bailarinas, reconhecidas nacionalmente não só pela carreira individual, mas também pelo alto nível dos espetáculos apresentados por suas companhias, alegam que a união nem é tanto para acabar com a rivalidade entre as escolas, mas para, unidas, conseguirem mais incentivos para seus projetos. ‘‘Levamos o bom nome de Maringá, por vários locais do Brasil através de nossa dança’’, conta Roseli El Ghezz. ‘‘Agora, é a vez dos órgãos oficiais e dos empresários retribuirem incentivando nosso trabalho’’, declara Roseli, uma pioneira em Maringá, há 31 anos à frente do Ballet Regina Mundi.
Uma prova do descaso de alguns órgãos para com os trabalhos relativos à dança em Maringá é o protesto recente da bailarina Daísa Poltronieri levado à Imprensa. Ela preparou um projeto de espetáculo o ‘‘Maria do Ingᒒ, fruto de um exaustivo trabalho de pesquisa sobre a colonização da cidade, considerado impecável do ponto de vista cultural. A bailarina inscreveu o projeto, pleiteando recursos através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Foi vetado pela comissão, criada na gestão anterior e que, segundo o atual secretário de Esportes e Cultura, João Marina é ‘‘cheia de falhas e já está sendo reformulada’’. O veto ao projeto da bailarina provocou protestos na classe artística e motivou as quatro professoras a concretizarem o fortalecimento de suas relações profissionais. ‘‘Precisamos mobilizar o setor cultural da cidade. Temos um teatro enorme, que quando for ativado, deverá trazer grandes espetáculos. Vamos nos unir para trazer gente especial para oficinas, aulas especiais, grandes eventos da dança internacional’’, sugere Daísa. ‘‘Vamos mostrar que temos força e que não somos gangues. Não temos rivalidade, mas uma concorrência sadia’’, afirma Daísa Poltronieri.
Bons fuidos Outro fato que aproximou as bailarinas é o de que, individualmente, elas preparavam importantes apresentações de artistas de âmbito mundial e o público se dividia ou até mesmo boicotava. ‘‘Quando trazia algum grande nome de fora, muita gente não participava’’, lembra Marcia Angeli, que acaba de retornar de uma performance elogiada num Festival de São Paulo. ‘‘Com a nossa união e nível profissional, todas as escolas vão ganhar. Será melhor o nível de ensino. Unidas emitiremos bons fluidos para a dança de Maringᒒ, diz Marcia Angeli.
Com a criação da associação, as escolas farão reuniões permanentes para decidir todas as questões ligadas à dança na cidade. O calendário de eventos será organizado de maneira a conciliar os espetáculos. Todas vão estabelecer um piso mínimo para matrículas e a política das escolas será semelhante. As academias continuarão mantendo a ética e sua privacidade, e os preços cobrados serão estipulados por uma tabela comum às escolas filiadas.
‘‘Quem sai ganhando com isso é a dança que é uma coisa tão grande, até maior do que o próprio individualismo e a rivalidade’’, declara Flor Duarte, uma das batalhadoras pelo fim da rivalidade entre as grandes escolas de dança ‘‘Bailarino não tem tempo de brigar. É gente que trabalha muito, se desgasta demais fazendo pirueta e montando espetáculo, algumas vezes sem apoio nem reconhecimento. Já é hora de tornar a dança mais presente na vida do maringaense’’, declara Flor Duarte, que já está ensaiando seu ‘‘4º Encontro com a Dança’’, para ser apresentado no Teatro Callil Haddad, em maio.

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