Desde que surgiu, em meados de1850, o jeans vem acompanhando as transformações comportamentais de todas as gerações, mudando de cara conforme a estética e as inovações tecnológicas de cada época. Até chegar às badaladas lojas de grife, ícones da juventude dos anos 90, a peça mais básica do vestuário atual percorreu um longo trajeto.
Em meio à corrida pelo ouro no oeste americano, no final do século passado, estava um jovem chamado Levi-Strauss, que saiu da Baviera (atual Alemanha) disposto a fazer fortuna. E ela não demorou a chegar. Certamente Strauss não imaginou que, ao usar lona de barraca para confeccionar calças suficientemente resistentes para o trabalho nas minas, estivesse prestes a criar o maior sucesso da moda de todos os tempos.
A palavra jeans vem da pronúncia inglesa de Gênes (Gênova em francês). Essa cidade portuária italiana acabou batizando as calças dos marinheiros, cujo tecido á- um brim grosso de algodão produzido na cidade francesa de Nimes - passou a substituir o canvas (lona) usado por Strauss. O brim foi tingindo de azul com uma tinta natural chamada índigo, e ganhou outro nome em inglês: denim. E Levi’s virou marca consagrada no mercado de jeans.
Depois do modelo pioneiro, designado pelo próprio Strauss com o número 501, uma avalanche de marcas e estilos passou a disputar a preferência do consumidor. Mas somente depois de 60 anos surgia o primeiro modelo feminino: o Lady Levi’s. A Wrangler aproveitou a idéia e criou, em 1949, as calças Jeanies, mais justas e multicoloridas.
A Europa só vestiu jeans após a Segunda Guerra Mundial, incentivada pelos ídolos do rock e do cinema americanos. A moda das gangues de motoqueiros, no filme ‘‘O Selvagem’’, com Marlon Brando, e dos rebeldes sem causa, em ‘‘Juventude Transviada’’, com James Dean, foi a inspiração para o estilo dos anos 50: uma legião de jovens em todo o mundo mascava chicletes, andava de ‘‘lambreta’’, dançava rock’n’ roll e usava jeans.
O despojamento hippie deu um visual supercolorido ao jeans dos anos 70: cortadas em forma de sino do joelho até o tornozelo, as surradas calças da época ganharam bordados, tachinhas, conchas e rebites. O look invadiu as vitrines do mundo todo, e os grandes fabricantes perceberam que o mercado pedia inovações. Começou assim, a era da lavagem industrial, desempenhando a dupla função estética e de tratamento dos tecidos.
À medida que o jeans virava moda, e era incluído nas coleções de prêt-a-porter de estilistas como Gucci, Pierre Cardin e Yves-Saint-Laurent, as lavagens tornaram-se mais sofisticadas, amaciando o pano, diminuindo o peso e alterando a sua cor. Destroyed, Used, Delavê, Superstone; Work Denim, Índigo com Lycra, Dips, Black Blue Yarn... Quando tudo parecia ter sido feito em matéria de jeans, surge uma boa-nova no setor têxtil: uma fibra elaborada a partir de celulose natural, que misturada ao algodão, resulta num índigo de extrema maciez e caimento perfeito.
Extraída da polpa da celulose de árvores reflorestáveis, Tencel é considerada uma das maiores descobertas do século em termos de tecnologia de fibra. O processo de extração dispensa o uso de produtos químicos e não emite resíduos tóxicos. Nada mais adequado aos ecologicamente corretos anos 90.
A fibra foi desenvolvida pela Courtalds Fibers, empresa inglesa com sede nos EUA, há cerca de quatro anos. No Brasil, a Alpargatas Santista produz o Índigo Soft com Tencel há pouco mais de um ano, distribuindo o novo tecido para marcas como Iódice, Vício, Yes Brasil, Wrangler e Philippe Martin.‘‘É um tecido com um toque todo especial. Quando o cliente experimenta a calça, sempre acaba levando’’, diz Valdemar Iódice, que trabalha com tencel há duas coleções.
Para Philippe Martin, proprietário da grife que leva o seu nome, o único inconveniente do novo Índigo é o preço. Uma calça tradicional da marca sai por volta de R$ 70,00, enquanto um modelo com tencel chega a R$ 100,00. ‘‘A matéria-prima é cara’’, explica. Philippe usou a nova fibra pela primeira vez nessa coleção de verão, somente em calças pantalona. ‘‘O caimento é fantástico’’, salienta. De acordo com o gerente de produto da Wrangler, Alfonso Bueler, o soft tencel faz parte de uma nova geração de tecidos, que visam acima de tudo o conforto. ‘‘É muito mais do que uma tendência de moda’’, observa.

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