UMA VISÃO
PECULIAR DO
CATOLICISMO
Londrina recebe
exposição que reúne
obras de artistas
plásticos africanos
sobre o Evangelho
Antônio Mariano Júnior

Milton Dória
Padre Saturnino Fraille: ‘‘Jesus e Maria se encontram em todas as cores
da humanidade’’S
aibam, Jesus e Maria são negros. Tal informação pode ser constatada através dos quadros, telas, aquarelas, cerâmicas e fotos que compõem a exposição ‘‘O Verbo se Fez Carne e Habitou na África’’, que está aberta à visitação pública até o dia 24, no Salão Paroquial da Igreja Coração de Maria, em Londrina. O evento reúne 80 obras de 30 artistas plásticos africanos, cada um interpretando o Evangelho através de sua visão e valores culturais. A promoção é do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Estadual de Londrina.
Trata-se de uma exposição itinerante que há 13 anos vem percorrendo o Brasil. Idealizada pelo padre Saturnino Fraille, pertencente à Congregação dos Missionários de Nossa Senhora da África, a mostra já foi vista por pelo menos 70 mil pessoas. A idéia nasceu em 85, quando o padre Fraille participou do Congresso Latino-Americano Missionário, em Belo Horizonte, cujo tema era ‘‘O Evangelho nas Culturas’’.
A exposição vem a Londrina depois do pedido feito há um ano pelo diretor do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos, Eduardo Judas Barros, que leu a respeito e se interessou em trazê-la. Só agora foi possível agendá-la. No Paraná, as obras já foram vistas anteriormente em Curitiba e Foz do Iguaçu. Daqui, a mostra segue para Aparecida do Norte (SP) e permanece no Brasil pelo menos até o próximo ano. Depois de solos brasileiros, as obras deverão ser vistas na Argentina.

Reprodução
São trabalhos belíssimos, em diversos tamanhos, que englobam basicamente três linhas estéticas - o cubismo, o primitivismo e o surrealismo. As obras estão disposta de tal forma que o visitante conheça diversas passagens da Bíblia - a anunciação, o nascimento de Jesus, a visita dos Reis Magos, o sermão da montanha, a Santa Ceia, Pentecostes, a ressurreição, parábolas etc. Cerca de 30 obras, entre telas e quadros nos mais variados tamanhos, estarão sendo vendidas por R$ 50 e R$ 60.
A exposição começa e termina com a imagem de Maria. Os santos católicos também são representados como negros. ‘‘Que ninguém se aproprie da religião católica, que quer dizer universal. Ou seja, ela é de toda a humanidade. Portanto, Jesus e Maria se encontram em todas as cores da humanidade’’- explica o padre Fraille. ‘‘Há muitos caminhos para se subir à montanha’’- complementa.
A exposição, como ele mesmo explica, vai muito além do sentido estético. É uma maneira de chamar a atenção das pessoas para um continente que ele classifica de ‘‘sofrido’’. ‘‘A humanidade tem uma grande dívida para com a África’’- alerta ele. Padre Fraille morou durante 24 anos na África, dos quais seis em Moçambique e 18 em Burkina-Faso. Pretende voltar no próximo ano.

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Lá, o padre se juntou a outros dois mil missionários de 35 nacionalidades distintas que pertencem à sua congregação - fundada em 1868 pelo cardeal Lavigerie - e que realizam trabalho em 28 dos 55 países que compõem o continente africano. A decisão de ir ao continente africano se deu tão logo se ordenou. ‘‘Queria fazer algo lindo de minha vida e por isso resolvi me dedicar às diversas causas desse continente’’- admite.
Dos quase 800 milhões de africanos, pelo menos 14% são católicos. A maioria ainda é adepta da religião tradicional, que tem sua crença fundamentada em espíritos dos antepassados e forças da natureza, por exemplo.
• O Verbo Se Fez Carne e Habitou na África - exposição com obras de 30 artistas plásticos africanos, pode ser vista até o dia 24, das 9 ao meio-dia e das 14 às 20 horas. Local: salão do Centro Social da Igreja Coração de Maria (Avenida Higienópolis com JK). Entrada franca.

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