Os profetas das catástrofes querem ver no fim do século e milênio hecatombes e tragédias que determinarão o fim do mundo. Tudo isso baseado nas afirmações de que a Terra passaria dos mil anos, mas não passaria dos 2 mil. Por que o mundo tem que acabar no último minuto da última hora do último dia do século? Por que não acabou antes?
Estas foram algumas questões levantadas por Henrique Rodrigues, especialista em Eletrônica Médica e presidente do Centro de Estudos Psicobiofísicos de Belo Horizonte, que esteve em Londrina no mês passado, ministrando o curso ‘‘Atualização Cultural do Ser Humano’’.
Rodrigues mescla conhecimento científico com temas pouco aceitos pelo meio acadêmico em geral, como parapsicologia e efeito Kirlian. O professor viaja pelo mundo fazendo conferências e cursos e, entre outros títulos, foi laureado com o prêmio Ernesto Bozzano no 2º Congresso Internacional de Parapsicologia, realizado em Gênova (Itália) em 1972. O pesquisador já escreveu dez obras sobre assuntos como ‘‘A Ciência dos Espíritos’’ e ‘‘Vidas em Retalhos’’, e está com dois trabalhos no prelo.
Entre os temas prediletos de Rodrigues está o comportamento humano: ‘‘Meus trabalhos são baseados em metodologias dos institutos de ciência clássica e acadêmica, e as decorrências que isso impõe no campo espiritual. Não têm nada de aspectos místicos, a linguagem utilizada é a dos fatos’’.
Para Rodrigues, o ser humano dá muito valor ao concreto e esquece-se da importância da abstração. ‘‘Não existe concreto sem o abstrato, uma casa antes de ser uma casa é uma idéia na cabeça do arquiteto. Você não é o que vejo, é sua cultura, sua ignorância, seus sonhos, isso é o ser humano’’, explica.
Essa distinção seria a origem de muitos relacionamentos fracassados: ‘‘Os relacionamentos não se desenvolvem porque o indivíduo olha a embalagem e quando esta é aberta muitas vezes não possui alguma coisa boa ou está simplesmente vazia’’.
Os estudos de Rodrigues também apontam para a existência de sentidos que extrapolam o âmbito comum: ‘‘Os seres humanos têm percepções extra-sensoriais mensuráveis, contatáveis por processos estatísticos e matemáticos, comprovados por fotografias e estudos físicos e químicos, como a clarividência, que permite a chamada pré-cognição’’.
Segundo o professor, se uma pessoa pensa em outra e as duas se encontram na rua, o fato não pode ser considerado coincidência. ‘‘Isso não pode ser atribuído ao acaso porque um acaso apenas liquidaria com todas as ciências acadêmicas’’, assegura.
Como o corpo seria apenas um invólucro concreto, os transplantes são enxergados com benevolência: ‘‘São justificáveis e todos deveriam ser doadores porque se trata de um avanço da ciência em benefício da humanidade. Na carteira em que o indivíduo assinala que não é doador, também deveria estar assinalado que ele também não pode ser receptor. Isso é justo’’.
Da mesma forma, os clones são vistos com naturalidade. ‘‘A embalagem não determina o conteúdo’’, acrescenta, ressaltando que a globalização da ciência traz problemas para a humanidade: ‘‘A tecnologia não está sendo colocada em benefício do homem, mas contra o homem e o desemprego é a prova evidente de uma máquina colocada a serviço do deus dinheiro. O avanço tecnológico e a globalização do inglês vão gerar analfabetos. Todos que não souberem a língua e não dominarem a tecnologia do computador serão analfabetos’’- conclui.

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