Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasJúlia Lemmertz: ‘‘A Fabiana faz maldades por amor, por desespero’’Não adianta. Por mais maldades que seu personagem faça na televisão, dificilmente Júlia Lemmertz consegue atrair a raiva do público. Com sua voz doce e seu jeito sereno, ela desperta admiração pela sua postura elegante e educada. Características que se adequam ao papel da aprendiz de vilã Fabiana, de Zazá. ‘‘A Fabiana não é uma típica vilã. Ela faz maldades por amor, por desespero’’, analisa.
Esse é a segunda antagonista que a atriz interpreta na televisão. A primeira foi a Débora, de ‘‘Quem É Você?’’ Antes disso, desde quando começou sua carreira na novela ‘‘Os Adolescentes’’, da Band, em 1981, Júlia só era lembrada para interpretar boas-moças.
Agora, a atriz começa a se habituar com o fato de viver mulheres más. ‘‘Não acho ruim ser vil㒒, admite. Quando fala de Fabiana, Julia, deixa claro o prazer que sente em interpretá-la. ‘‘O personagem é muito rico. Dá muitas possibilidades’’, analisa. Para transmitir a obsessão de Fabiana por Hugo, papel de Marcelo Novaes, ela se inspirou no filme ‘‘Jezebel’’, do diretor William Wyle. No filme, Bette Davis fazia uma mulher má e envolvente que, para conquistar o amor de um homem, recorre ao ciúme. ‘‘A Fabiana tem um quê de Jezebel’’, compara.
A analogia com Bette Davis não fica apenas na interpretação. Júlia também possui sobrancelhas finas e grandes olhos - apesar de castanhos e um pouco puxados - tão expressivos quanto os da atriz norte-americana. Mas seus traços delicados afastam qualquer expressão de maldade, característica marcante de Bette Davis.
Esses traços delicados ela herdou da mãe, Lílian Lemmertz, considerada uma das grandes atrizes da sua época. Júlia deixa transparecer a emoção ao mencionar a mãe - que morreu em 1986 e fez novelas como ‘‘Baila Comigo’’, de Manoel Carlos, e ‘‘Partido Alto’’, de Aguinaldo Silva e Glória Perez, e filmes como ‘‘Lição de Amor’’, de Eduardo Escorel - , com quem aprendeu a admirar a carreira de atriz. ‘‘Infelizmente ela não pôde me ensinar tudo o que sabia’’, lamenta.
Júlia lembra que mantinha uma relação de grande companheirismo com a mãe. Ela acompanhava o trabalho de Lílian nos estúdios e nos sets de gravação. Lílian também deixou de herança para a filha o amor pelo cinema. Atualmente, Júlia divide as gravações de ‘‘Zazᒒ com a apresentação do programa ‘‘Revista do Cinema Brasileiro’’, da Rede Brasil, retransmitido pela TV Cultura, de São Paulo. ‘‘Gosto muito de fazer o programa. Fico por dentro das novidades do cinema nacional’’, confessa.
Júlia já participou de vários filmes, como ‘‘Tiradentes’’, de Oswaldo Caldeira, e mais recentemente, de ‘‘A Hora Mágica’’, de Guilherme de Almeida Prado. Ela também se prepara para participar com o marido - o ator Alexandre Borges - de ‘‘Até que a Morte nos Separe’’, do publicitário José Zaragoza, um estreante em cinema. As filmagens estão previstas para começar em novembro mas, com a ameaça de ‘‘Zazᒒ se estender até janeiro, a atriz pode mudar os planos.
Com tanto trabalho, Júlia mal tem tido tempo para cuidar de sua filha Luiza, de 9 anos. Mas, sempre que tem um tempo livre, ela procura ficar ao lado da menina. ‘‘Tento ser uma mãe nota dez’’, revela a atriz. Ela dá algumas broncas na filha, mas se considera uma mãe benevolente.
Dupla dinâmica Júlia Lemmertz está casada há quatro anos com o ator Alexandre Borges. E mais parece que há apenas um contrato para os dois atores. Eles trabalharam quase sempre juntos. Foi assim na novela ‘‘Guerra sem Fim’’ e na inédita ‘‘O Marajᒒ, ambas da Manchete, e em ‘‘Quem É Você?’’, da Globo. No teatro os dois também são inseparáveis. Já encenaram ‘‘Ham-let’’, do diretor José Celso Martinez Corrêa, e ‘‘Eu Sei que Vou te Amar’’, uma adaptação do filme de Arnaldo Jabor. Agora, estão juntos mais um vez, como irmãos, em Zazá.
Mas engana-se quem pensa que os dois levam para casa as obrigações do trabalho. Júlia garante que eles só se ajudam quando há um volume muito grande de diálogos e passam o texto um com o outro. Normalmente, cada um busca por si só a melhor maneira para decorar os textos da novela. Na opinião da atriz, a criação e a inspiração de como fazer as cenas depende muito de cada um. ‘‘O trabalho de ator é extremamente solitário. É um trabalho de instrospecção’’, acredita.

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