Uma vida inteira dedicada ao teatro
Culturalmente inquieto, incansável na luta pelo teatro local e paranaense, sempre disposto a aprender mais, um workaholic que ainda tinha tempo para cuidar dos filhos, nem que tivesse que levá-los para o teatro. Assim era José Maria Ferreira Maciel, ou José Maria Santos.
''Ele passou a ser respeitado pelo amor que tinha pelo trabalho, pela seriedade com que levava o teatro'', diz o filho de José Maria, José Mauro, 45 anos. ''Meu pai era viciado em trabalho, pensava em teatro 24 horas por dia. Até quando eu era pequeno e ele levava a gente no cinema, já pensava em como o filme poderia funcionar no teatro. O trabalho também estava no lazer.''
José Maria Santos nasceu em Guarapuava, em 12 de dezembro de 1933, e mudou para Curitiba aos 12 anos. Em 54, estudou na Escola Dramática do Sesi e, quatro anos depois, fundou a Cia. Dramática Independente. Logo nos primeiros anos já impressionava pela versatilidade e energia em cena, nas montagens ''Seu Nome Era Joana'', ''O Pomo da Discórdia'' e ''O Auto da Compadecida'', realizada no mesmo ano em que conheceu Ruth Woslki, com quem teve quatro filhas e um filho, José Mauro. Até a sua morte, em 4 de janeiro de 1990, esteve em mais de 40 peças e chegou a conquistar o Kikito de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante, no Festival de Cinema de Gramado, por ''Aleluia Gretchen'', de Silvio Back.
''Ele tinha um amor muito grande pelos estudos, foi autodidata e sempre estava preocupado em estar se aperfeiçoando'', lembra José Mauro, ao falar do pai. Um dos pontos altos da carreira de José Maria Santos foi com a peça ''Lá'', encenada originalmente em 1971 e escolhida recentemente, não por acaso, para celebrar os dez anos do teatro em nova montagem.
A vida da família junto com o teatro, de acordo com José Mauro, passou a ser uma constante. ''Uma das minhas irmãs ajudou a vender um espetáculo para o interior, a outra fez sonoplastia, eu ajudei na montagem. Quando inaugurou o teatro (José Maria Santos), minha irmã trabalhou como secretária e eu como office boy.''
A seriedade com que José Maria Santos encarava o teatro também foi passada de pai para filho. ''Quando eu e minhas irmãs fomos fazer teatro, ele cobrava a gente como um outro profissional qualquer'', recorda José Mauro, formado em Educação Artística e Artes Cênicas, atualmente contador de histórias em projeto da Prefeitura de Curitiba. ''Como me sentia mais apto a ensinar, decidi seguir no teatro de uma forma diferente'', conta.
Ver como o Teatro José Maria Santos cresceu e como o local transmite o ambiente familiar enche o filho do ator de alegria. ''O pessoal cuida disso como se fosse a casa dele, era assim que meu pai fazia''. (C.Y.)





