Uma vida envolta em mistérios
Uma vida envolta em mistérios
No dia 30 de outubro de 1849, Frederic Chopin é enterrado em Paris, rodeado por muitos amigos, antigos e recentes. No funeral foi executado o Requiem de Mozart. Aos 39 anos, vitimado por uma tuberculose, Chopin deixou um legado inestimável para a música clássica.
No entanto, a vida do mestre é envolta em mistério. Interpretações excessivas camuflaram o gênio. Sobre o fato de ser tísico, uma de suas biógrafas registrou exageradamente Chopin tosse com uma graça infinita.
Em toda sua vida, não fez nada além de 30 concertos, em auditórios seletos. Mesmo assim, conquistou enorme audiência popular. Pode-se ressaltar o caráter quase atemporal de sua obra. Outra singularidade reside no meio expressivo dominante do músico, o piano. Com esse instrumento, foi glorificado e criticado. Enquanto era acusado de ser um músico de escassos recursos formais, ele conseguiu desenvolver uma lógica própria da linguagem musical, suplantando suas limitações.
Para o piano, Chopin criou um estilo peculiar, de nervosa oscilação rítmica. Sem Chopin, grande parte da literatura pianística posterior (Schumann, Debussy e Ravel) não seria explicável.
Em Varsóvia, aos oito anos, como autêntico menino prodígio, publicou sua primeira polonaise. De 1831 a 1837 é sua fase mundana, tocando em Praga, Viena, Munique e Paris. Nessas andanças, ao se deparar com dificuldades, uma admiradora rica ou antiga aluna sanavam os entraves financeiros. Sedutor, bom dançarino, hábil nos jogos de sociedade e até um pouco esnobe, criou nos salões parisienses uma situação invejável.
Os especialistas classificam a obra de Frederic Chopin como romântica pela audácia da escrita, clássica pelo pudor e concisão. Pela riqueza de sua harmonia, é um compositor de vanguarda, com um avanço de meio século sobre os seus contemporâneos. Nenhuma obra de Chopin tem a ambição de ser a sua obra-prima. Encontra-se a mesma originalidade numa mazurka ou num prelúdio. (F.F)





