Paulo WolfgangYoshinobu Seko: referência da poesia japonesa no BrasilUMA VIDA
EM VERSOS
A Câmara de Londrina
teve um pouco de poesia
anteontem, na entrega do
diploma de reconhecimento
público a Yoshinobu Seko
Antônio Mariano Júnior
Ele merece! Desde anteontem, a vida e a obra do poeta japonês Yoshinobu Seko estão oficialmente reconhecidas através de um diploma entregue pela Câmara Municipal de Londrina. A cerimônia aconteceu no final da tarde, durante sessão ordinária, acatando assim o requerimento do vereador Roberto Kanashiro. E o poeta agradeceu a honraria. Humilde e sorridente, como sempre. Apontado como uma das atuais referências da poesia japonesa no Brasil e no exterior, Yoshinobu Seko é um homem que merece muitas reverências. Não só por seus escritos mas também pelo modo sábio com que sempre conduziu sua vida.
Lavrador por formação, poeta por vocação. Imigrante. Oitenta e cinco anos de idade, anos a fio de trabalho na lavoura, centenas e centenas de linhas de poesia. Mestre do Tanka e do Senryu. Ou seja, em seus versos rigorosamente formatados fala da natureza mas também não se esquece de pôr olhos e inspiração nos sentimentos humanos.
No Brasil, o poeta Yoshinobu chegou aos 13 anos, com a família. Veio a bordo do La Plata-Maru. Foram 48 dias de viagem. A primeira parada, o porto de Santos. De lá, ele e a família seguiram para uma fazenda localizada na região Mogiana. Em 1929, era a vez de trabalhar no solo paranaense, mais especificamente na Fazenda Nova Flora, próxima a Cambará. Seis anos depois, comprava seus primeiros alqueires de terra em Andirá.
Em Londrina, o poeta está há mais de 40 anos. Tantos anos de enxada e trabalho puxado, conseguiu uma boa situação financeira. Seria apenas um fato corriqueiro já que muitos imigrantes conseguiram, graças a muita força de vontade e trabalho, a mesma façanha. Seria. Mas o destino quis que Yoshinobu Seko fosse alcançado pela poesia.
O primeiro poema foi escrito aos 18 anos. Como disse certa vez, escreveu para ‘‘aliviar o coração’’. E de lá para cá, seu coração foi ficando cada vez mais aliviado. A poesia nunca mais o abandonou e vice-versa. Seus versos exalam, sobretudo, singeleza. Sensibilidade a toda prova que arrebatou vários prêmios. Entre eles, o lendário e centenário concurso de poesia promovido anualmente pela Casa Imperial do Japão: duas vezes foi agraciado.
É um mestre. Isso, um mestre que tem apenas o curso primário completo. Um mestre que aos sábados repassa o rigor métrico do senryu (que obedece a formatação do hai-kai, 7-5-7) e tanka (cuja formatação é 5-7-5-7-7) a senhores e senhoras da colônia japonesa de Londrina e região.
A partir de agora, a vida e obra do poeta estão oficialmente reconhecidas pelo município de Londrina. Era o mínimo que se podia fazer por esse senhor que a cada palavra, a cada frase, a cada gesto dá a noção exata do que a poesia provoca numa pessoa. Que poeta mais bonito de se ver, gente!!

OPINIÃO
Perguntam
se não tenho opinião.
Se guardo silêncio, não é porque
não a tenho.
Se falo não serei compreendido,
eis a causa do silêncio.
Ensino o que é correto.
Enquanto a barreira da maioria
prevalece,
a minha opinião neste clima
já a matei!

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