Uma vida dedicada ao folclore
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Érika Pelegrino 
O folclore começou a fazer parte da vida de Julieta de Andrade por vocação, como ela mesma afirma. Aos 17 anos a menina nascida em Morro Agudo, São Paulo, em 1930, começou suas pesquisas sobre a cultura do povo brasileiro. Por acreditar que a cultura não se conhece apenas através dos livros, aos 18 anos começou a viajar pelo território nacional para estudar e pesquisar o folclore, no meio de quem o faz: o povo. Esta atividade, Julieta de Andrade mantém até hoje.
Ainda aos 18 anos, junto com o professor Rossini Tavares de Lima, fundou uma escola de pesquisa de folclore, que funcionou na casa de Julieta até 1991. Foi quando decidi que eu tinha direito à minha casa e fechei a escola, afirma.
Paralelamente aos estudos de cultura brasileira, a jovem estudante ainda se graduou em piano, Educação Artística e Direito. Mas sua vida a levou mesmo para os caminhos que a conduziriam a descobrir o povo brasileiro. Fez mestrado e doutorado em Antropologia, doutorado em Artes.
Em 50 anos de vida dedicada ao estudo, Julieta de Andrade exerce ainda hoje diversas funções, sempre voltadas para levar um pouco da verdade da alma do meu povo, não só pelo Brasil afora, como também para o exterior. Ela é conferencista da Instituição GEMP - La Talvera, na França, conselheira-curadora do Instituto de Estudos de Cultura Musical no Mundo de Língua Portuguesa, na Alemanha, participa a convite de simpósios e encontros internacionais de pesquisa de cultura, na França e Alemanha.
No Brasil, Julieta de Andrade ministra cursos nas áreas de Metodologia de Pesquisa, Cultura Brasileira, História da Cultura dos Povos Contemporâneos, Folclore Brasileiro. Tanto tempo dedicado a pesquisa resultou na publicação de quatro livros: Folclore na Região do Salgado, Cocho Mato-Grossense, um Alaúde Brasileiro, Cultura Crioula e Lanc-Patua no Norte do Brasil, Escola de Folclore, Pesquisa de Cultura Espontânea e atualmente está no prelo seu quinto livro: Identidade Cultural Brasileira.
Aposentada desde 1993, como professora, Julieta de Andrade foi mantida pela Faculdade Morumbi Anhembi como pesquisadora. Aos 68 anos, residente em Cascavel e trabalhando em São Paulo, ela se prepara para defender a livre docência dentro de dois anos.


